sábado, 5 de maio de 2012

Essa é a fonte daquilo que hão de beber

Imagem via Blue Pueblo

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo João 15, -8 que corresponde ao Domingo 5º da Páscoa, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto, aqui reproduzido via IHU.


Segundo o relato evangélico de João nas vésperas de sua morte, Jesus revela a seus discípulos seu desejo mais profundo: “Permanecei em mim”. Conhece sua covardia e mediocridade. Em muitos momentos tem-lhes recriminado sua pouca fé. Se não permanecerem vitalmente unidos a ele, no conseguirão subsistir.

As palavras de Jesus não podem ser mais claras e expressivas: “Assim como o ramo que não fica unido à videira não pode dar fruto, vocês também não poderão dar fruto, se não ficarem unidos a mim”. Se vocês não permanecerem firmes naquilo que têm aprendido e vivido junto a ele, sua vida será estéril. Se eles não vivem de seu Espírito, o que foi iniciado por ele se extinguirá.

Jesus utiliza uma linguagem clara: “Eu sou a videira e vocês são os ramos”. Nos discípulos deve correr a seiva que vem de Jesus. Eles jamais devem esquecer isso. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse vai dar fruto abundante porque sem mim não podem fazer nada. Separados de Jesus os discípulos não podem fazer nada.

Jesus não somente pede-lhes que permaneçam nele, ele disse-lhes também que “suas palavras permaneçam neles”. Que eles não as esqueçam. Que vivam do seu Evangelho. Essa é a fonte daquilo que hão de beber. Já foi dito em outra ocasião: “As palavras que eu os digo são espírito e vida”.

O Espírito do Ressuscitado permanece hoje vivo e operante na sua Igreja de múltiplas formas. Mas sua presença invisível e calada toma rasgos visíveis e voz concreta graças à lembrança guardada nos relatos evangélicos por aqueles que o conheceram de perto e o seguiram. Nos evangelhos entramos em contato com sua mensagem, seu estilo de vida e seu projeto do Reino de Deus.

Por isso, nos evangelhos encerra-se a força mais poderosa que possuem as comunidades cristãs para regenerar sua vida. A energia de que necessitamos para recuperar nossa identidade de seguidores de Jesus. O Evangelho de Jesus é a ferramenta pastoral mais importante para renovar hoje a Igreja.

Muitos bons cristãos de nossas comunidades somente conhecem os evangelhos “de segunda mão”. Tudo o que eles sabem sobre Jesus e sua mensagem provém daquilo que eles conseguiram reconstruir a partir das palavras dos predicadores e dos catequistas. Eles vivem sua fé sem ter um contato pessoal com as “palavras de Jesus”.

É difícil imaginar uma nova evangelização sem favorecer às pessoas um contato mais direto e imediato com os evangelhos. Não há força evangelizadora mais forte do que a experiência de escutar juntos o Evangelho de Jesus a partir de perguntas, dos problemas, dos sofrimentos e das esperanças de nosso tempo.

2 comentários:

Navorski disse...

"Não há força evangelizadora mais forte do que a experiência de escutar juntos o Evangelho de Jesus a partir de perguntas, dos problemas, dos sofrimentos e das esperanças de nosso tempo."

Na rua, na poeira, na multidão, longe dos edifícios de poder.

Equipe Diversidade Católica disse...

É, Navorski. O Amor de Cristo, o amor do Pai encarnado em cada um de nós, é por natureza prático, sensível, concreto, empírico, real. Não se trata de uma realidade abstrata sobre a qual falamos, mas uma vivência próxima e concreta, algo que se expressa no amor que sentimos pelos irmãos e no amor que deles recebemos. :-)

Por isso o teólogo espanhol José Maria Castillo já disse, em texto que reproduzimos aqui: "O projeto cristão não pode ser um projeto religioso ou sagrado de divinização, mas um projeto profano e laico de humanização. Deus não se encarnou no sagrado e seus privilégios, nem no religioso e seus poderes. Deus se mesclou com o humano. Portanto, encontramos Deus, sobretudo, no profano, no laico, no secular, no que é comum a todos os humanos e no que nos une aos demais seres humanos, sejam quais forem suas crenças e suas tradições religiosas. Porque o determinante, para encontrar Deus, não é a fé, mas a ética, que se traduz em respeito, tolerância, estima e misericórdia."

Um abraço afetuoso! :-)

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