domingo, 11 de dezembro de 2011

Perguntas frequentes: "O católico gay que mantenha um relacionamento está em pecado?"

Perguntas frequentes

Neste final de ano, todos os domingos à tarde publicaremos algumas perguntas da seção "Perguntas frequentes" do site do Diversidade Católica. Você pode acessar a série completa no próprio site do DC, ou na tag "perguntas frequentes". :-)

"O católico gay que mantenha um relacionamento está em pecado?"

Alguns documentos da Igreja classificam os atos homossexuais como “intrinsecamente desordenados”. Importante frisar que, de acordo com a doutrina, “desordem” é uma classificação insuficiente para determinar o pecado.

Pode parecer estranho à primeira vista, mas há nuances que distinguem os conceitos de “desordenado, errado, mau” e “pecado”.

A Teologia Moral católica chama de pecado a circunstância que reúna três elementos: matéria grave, liberdade na ação e consciência de que aquilo é pecado. Só a junção dos três elementos caracteriza pecado grave, segundo a Igreja.

O Concílio Vaticano II* ensina: “Pela fidelidade à voz da consciência, os cristãos estão unidos aos demais homens, no dever de buscar a verdade e de nela resolver tantos problemas morais que surgem na vida individual e social” (Constituição Pastoral Gaudium et Spes 16). Quem orienta sua conduta na direção da verdade sincera e tem uma consciência bem formada deve, então, seguir a voz de sua consciência. É o que a Igreja espera de todos os católicos.

Muitos católicos gays simplesmente não reconhecem suas vidas e seus relacionamentos na forma “desordenada” de que falam alguns documentos. Por isso, como diz o texto conciliar mencionado no parágrafo anterior, não podem ir contra a sua consciência se esta não os acusa de estar em pecado.

A situação pode gerar muita insegurança em algumas pessoas de fé. Mas é de se questionar se tal insegurança não seria fruto de certo infantilismo espiritual que tem o Magistério** como instância substituta da própria consciência, uma espécie de “superego”. O Magistério não pode, nem se pretende, substituto da consciência dos católicos.

Confrontar-se com uma consciência bem formada e agir em conformidade a ela. Estas são as características de um cristão “maior de idade” segundo Karl Rahner, um dos maiores teólogos católicos do século XX, perito do Concílio Vaticano II. Disse Rahner: “Mas, em última instância (o cristão) terá que perguntar-se perante Deus e sua consciência, sem que seu espírito lúcido se deixe subornar, a partir de uma consciência limpa e, naturalmente, através de todos os meios que dispõe nestes casos um homem e um cristão, qual é a sua convicção pessoal e sua decisão nesse caso concreto” (RAHNER, K. Artigo “El Cristiano Mayor de Edad” ).

Com relação específica às uniões gays, padre Jan Visser, um dos grandes moralistas católicos da atualidade, afirmou: “Quando alguém está lidando com pessoas que são profundamente homossexuais que estarão em sérios problemas pessoais e talvez sociais, a não ser que eles se mantenham em uma parceria ao longo da sua vida homossexual, essa pessoa que as assiste pode recomendar-lhes que procurem tal parceria, e aceitar este relacionamento como o melhor que pode ser realizado na situação atual.”

Importante mencionar que Visser trabalhou na equipe que compôs o documento "Declaração sobre algumas questões de Ética Sexual", de 1975, que faz uma avaliação negativa da homossexualidade. Posteriormente, como vimos na citação acima, ele admitiu poder haver uma diferente avaliação de acordo com casos concretos.

* "Concílio Vaticano II": reunião de bispos católicos de todo o mundo ocorrida nos anos 1962 a 1965. Este Concílio foi um grande marco na renovação da Igreja no sentido de atualização e de diálogo com o mundo contemporâneo.


** "Magistério": ofício de interpretar a Palavra de Deus exercido pelos bispos, que são os sucessores dos apóstolos, em comunhão com o papa, bispo de Roma e sucessor de Pedro. O Magistério não está acima Palavra divina, mas a serviço dela.

Um comentário:

Rodolfo Viana disse...

Olá bom dia!
O Vaticano Segundo entendeu a independencia das ciencias. Desde daí o Margisterio não procura dar mais parecer, clinico, médico, cientifico ou patologico e se restringe ao que lhe cabe.

Há links interessantes aqui:
Este fala sobre os animais, inclusive:
http://diversidadecatolica.blogspot.com/2010/12/violencia-contra-homossexuais.html

Este, sobre uma resolução do conselho federal de piscologia.
http://diversidadecatolica.blogspot.com/2011/09/cura-da-homossexualidade-denuncia.html


Forte abraço;

Rodolfo Viana

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