domingo, 3 de abril de 2011

Quem esteve nas Forças Armadas sabe...

Foto: Felipe Costa

Queridos,

Nos últimos dias causaram repulsa os comentários do Sr. Jair Bolsonaro, Deputado Federal pelo PP (Partido Progressista) do Rio de Janeiro, em relação a questões como discriminação racial e homossexualidade.

É mais do que sabido que Bolsonaro é um elemento egresso das fileiras das Forças Armadas Brasileiras e que sua plataforma política prega, entre outros princípios, o respeito aos valores tradicionais familiares, à moral e ao civismo, bem como a defesa dos interesses da família militar. No entanto, muito do que ele vem defendendo no congresso já não mais se verifica como a voz de uma maioria e, sim, de uma parcela reacionária da instituição, que não o reconhece como representante de seus interesses. Em meio a tanto absurdo dito e ouvido, eis o depoimento dos dois sargentos que, há alguns anos, foram notícia por terem assumido sua relação em âmbito nacional, aqui.

Há elementos importantes nessa entrevista que mostram principalmente que os pontos de vista do Sr. Bolsonaro não são mais unânimes dentro das Forças Armadas, mas que, como em qualquer instituição tradicional, ainda evoluem com lentidão para uma mentalidade mais aberta e democrática.

Atenção para a seguinte declaração: "Eu penso que Bolsonaro, na verdade, é um malandro que finge ser representante dos militares para viver de dinheiro público. Como militar, que eu ainda sou, eu vejo que ele é totalmente desacreditado na instituição. Ele é usado pela cúpula para dar esses recadinhos, pra fazer esse auêzinho. Mas, no meio, ele é desacreditado. Acham que ele é um palhaço."

Isso é verdade e eu mesmo posso confirmar porque meu pai, militar e inicialmente eleitor do Sr. Bolsonaro (o que me rendeu brigas homéricas com ele), hoje em dia pensa dessa forma: "esse aí é um palhaço!"

Outras considerações (como a de que Bolsonaro seria um "gay internalizado" ou ainda o conceito de "orientação" sexual ainda vigente no discurso dos dois) eu simplesmente acho desncessárias e mesmo equivocadas. Mas vale a pena reconhecer nelas o quanto ainda é necessária a disseminação da informação correta, isenta de ambiguidades, para que se possa fortalecer perante o status quo oficial a defesa imprescindível de nossa liberdade e nossos direitos.

Paz e abraços em todos,

Mr. MM

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