sexta-feira, 20 de julho de 2012

Em algum lugar depois do arco-íris - Feliz dia do Amig@!



Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas l utam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.


Oscar Wilde






:)

Bom fim de semana a tod@s os amigos!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O que que custa acreditar?!




Vivendo num mundo de extremos, de tantos lados, de tantos polos, de tantos certos e errados, de tanto fundamentalismo ou a corda vai arrebentar de vez e tudo que conhecemos vai ruir ou luzes podem surgir pra dissipar tanta distopia. 

Quero só fazer alguns adendos em algumas observações que caberiam bem mais em um papo de boteco do que aqui. Acho que é um senso comum que hoje há um lado falido da democracia, vide os Estados, e outro muito positivo que  é a descentralização dos polos de emissão de informação com o advento das novas tecnologias. Talvez isto tenha permitido pautar alguns assuntos que antes andavam a passos lentos e aos poucos fomentando, por exemplo, um desejo a mais pelo correto, pelo bom ou pelo mais ético. Quando digo ética, me refiro a ciência responsável por regular a moral vigente. Enfim...

Esse lenga, lenga toda...é pra contar que achei A Era do Gelo 4 divertidíssimo e riquíssimo. (Se você não viu e quer ver, pule esse parágrafo).  No filme o CID, fica responsável por sua vovó que é uma “desajustada pior que ele”, os mamutes chamam os gambás de família e dizem que a diferença da família de verdade é a capacidade deles de protegerem uns aos outros num mundo inóspito. Tudo isso pautado na “moral da história” de forma muito sutil. 

A Era do Gelo é só um exemplo, mais há tantos. Sherek e Fiona e seus desajustes e o que dizer da pauta escolar que são os assuntos de Glee, bem diferente de por exemplo, das escolas heteronormativas que estávamos acostumados na nossa infância. 

Talvez seja a mídia que esteja refletindo e interferindo neste namoro entre representação e realidade e esteja projetando uma evolução moral possível a este tempo em que vivemos. Vejam as TVs,  as novelas iniciaram uma discussão, lenta ainda eu sei, sobre preconceitos, cada vez indo um pouquinho mais longe e por aí vai.

Claro que os mais apocalípticos e mais pessimistas vão dizer que os Happy Ends continuam a alienar as massas a enxergar a própria realidade. Sim, isso continua existindo. Mas, seria este levante, digamos, “mais ajustado ao nosso tempo” uma resistência? Note que eu não estou falando da TV e do Cinema ditos mais “alternativos” e fora de circuito. Estou me referindo ao massivo mesmo produzido pelo capitalismo. Talvez seja só o espetáculo se reinventando, porque é conveniente pra ele pautar este assunto. Numa analise mais profunda sem dúvida questões menos rasas que estas minhas de boteco se apresentariam... 

Essas questões a meu ver ou esta maré que escolho acreditar, pode ser uma maré de bom senso que vem banhando muita coisa e ao banhar põe a mostra muitas outras que não “descem mais”, vide mais um casamento sem futuro que é o nosso Estado com o fundamentalismo religioso. Isto não surgiu agora, isso está visível agora. A mesma ideia valeu pro negro, pro escravo, pro judeu e agora pra homofobia e pro fundamentalismo religioso. Alguma coisa em nossa realidade está sendo refletida na grande mídia ou a grande mídia deu vida própria ao que circulava entre nós meio as sombras. O resultado é que simplesmente algumas coisas “não desçam mais...”

Repetindo, há extremos por todos os lados, em algum ponto desta tensão eu escolho acreditar no que pode ser melhor, mais amoroso, mais próximo da ética que escolhi ter pra mim. É uma decisão individual que se une aos diversos coletivos que vem sendo representados por aí. Ou talvez, posso só chamar de um pouco mais de otimismo. 

:)


 Um bom dia e fiquem com o vídeo:



Rodolfo Viana
Equipe Diversidade Católica
 

terça-feira, 17 de julho de 2012

Dom Eugênio Sales e seu apoio à Ditadura






Imagino que você deva estar se perguntando o que o título do artigo tem haver com a capa do livro do Bourdie.

Acho a imagem desta capa interessantíssima e pra quem conhece este autor fica uma boa dica para se aprofundar na reflexão e crítica que reproduzimos abaixo. 

Rodolfo Viana
Equipe DC

 ***

Dom Eugênio Sales era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura

JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE, No Blog Bob Fernandes




O tratamento que a mídia deu à morte do cardeal dom Eugenio Sales, ocorrida na última segunda-feira, com direito à pomba branca no velório, me fez lembrar o filme alemão "Uma cidade sem passado", de 1990, dirigido por Michael Verhoven. Os dois casos são exemplos típicos de como o poder manipula as versões sobre a história, promove o esquecimento de fatos vergonhosos, inventa despudoradamente novas lembranças e usa a memória, assim construída, como um instrumento de controle e coerção.

Comecemos pelo filme, que se baseia em fatos históricos. Na década de 1980, o Ministério da Educação da Alemanha realiza um concurso de redação escolar, de âmbito nacional, cujo tema é "Minha cidade natal na época do III Reich". Milhares de estudantes se inscrevem, entre eles a jovem Sônia Rosenberger, que busca reconstituir a história de sua cidade, Pfilzing – como é denominada no filme – considerada até então baluarte da resistência antinazista.

Mas a estudante encontra oposição. As instituições locais de memória – o arquivo municipal, a biblioteca, a igreja e até mesmo o jornal Pfilzinger Morgen – fecham-lhe suas portas, apresentando desculpas esfarrapadas. Ninguém quer que uma "judia e comunista" futuque o passado. Sônia, porém, não desiste. Corre atrás. Busca os documentos orais. Entrevista pessoas próximas, familiares, vizinhos, que sobreviveram ao nazismo. As lembranças, contudo, são fragmentadas, descosturadas, não passam de fiapos sem sentido.

A jovem pesquisadora procura, então, as autoridades locais, que se recusam a falar e ainda consideram sua insistência como uma ameaça à manutenção da memória oficial, que é a garantia da ordem vigente. Por não ter acesso aos documentos, Sônia perde os prazos do concurso. Desconfiada, porém, de que debaixo daquele angu tinha caroço – perdão, de que sob aquele chucrute havia salsicha – resolve continuar pesquisando por conta própria, mesmo depois de formada, casada e com filhos, numa batalha desigual que durou alguns anos.

Hostilizada pelo poder civil e religioso, Sônia recorre ao Judiciário e entra com uma ação na qual reivindica o direito à informação. Ganha o processo e, finalmente, consegue ingressar nos arquivos. Foi aí, no meio da papelada, que ela descobriu, horrorizada, as razões da cortina de silêncio: sua cidade, longe de ter sido um bastião da resistência ao nazismo, havia sediado um campo de concentração. Lá, os nazistas prenderam, torturaram e mataram muita gente, com a cumplicidade ou a omissão de moradores, que tentaram, depois, apagar essa mancha vergonhosa da memória, forjando um passado que nunca existiu.

Os documentos registraram inclusive a prisão de um judeu, denunciado na época por dois padres, que no momento da pesquisa continuavam ainda vivos, vivíssimos, tentando impedir o acesso de Sônia aos registros. No entanto, o mais doloroso, era que aqueles que, ontem, haviam sido carrascos, cúmplices da opressão, posavam, hoje, como heróis da resistência e parceiros da liberdade. Quanto escárnio! Os safados haviam invertido os papéis. Por isso, ocultavam os documentos.

Deus tá vendo

E é aqui que entra a forma como a mídia cobriu a morte do cardeal dom Eugênio Sales, que comandou a Arquidiocese do Rio, com mão forte, ao longo de 30 anos (1971-2001), incluindo os anos de chumbo da ditadura militar. O que aconteceu nesse período? O Brasil já elegeu três presidentes que foram reprimidos pela ditadura, mas até hoje, não temos acesso aos principais documentos da repressão.

Se a Comissão Nacional da Verdade, instalada em maio último pela presidente Dilma Rousseff, pudesse criar, no campo da memória, algo similar à operação "Deus tá vendo", organizada pela Policia Civil do Rio Grande do Sul, talvez encontrássemos a resposta. Na tal operação, a Polícia prendeu na última quinta-feira quatro pastores evangélicos envolvidos em golpes na venda de automóveis. Seria o caso de perguntar: o que foi que Deus viu na época da ditadura militar?

Tem coisas que até Ele duvida. Tive a oportunidade de acompanhar a trajetória do cardeal Eugênio Sales, na qualidade de repórter da ASAPRESS, uma agência nacional de notícias arrendada pela CNBB em 1967. Também, cobri reuniões e assembleias da Conferência dos Bispos para os jornais do Rio – O Sol, O Paiz e Correio da Manhã, quando dom Eugênio era Arcebispo Primaz de Salvador. É a partir desse lugar que posso dar um modesto testemunho. Os bispos que lutavam contra as arbitrariedades eram Helder Câmara, Waldir Calheiros, Cândido Padin, Paulo Evaristo Arns e alguns outros mais que foram vigiados e perseguidos. Mas não dom Eugênio, que jogava no time contrário. Um dos auxiliares de dom Helder, o padre Henrique, foi torturado até a morte em 1969, num crime que continua atravessado na garganta de todos nós e que esperamos seja esclarecido pela Comissão da Verdade. Padres e leigos foram presos e torturados, sem que escutássemos um pio de protesto de dom Eugênio, contrário à teologia da libertação e ao envolvimento da Igreja com os pobres.

O cardeal Eugenio Sales era um homem do poder, que amava a pompa e o rapapé, muito atuante no campo político. Foi ele um dos inspiradores das "candocas" – como Stanislaw Ponte Preta chamava as senhoras da CAMDE, a Campanha da Mulher pela Democracia. As "candocas" desenvolveram trabalhos sociais nas favelas exclusivamente com o objetivo de mobilizar setores pobres para seus objetivos golpistas. Foram elas, as "candocas", que organizaram manifestações de rua contra o governo democraticamente eleito de João Goulart, incluindo a famigerada "Marcha da família com Deus pela liberdade", que apoiou o golpe militar, com financiamento de multinacionais, o que foi muito bem documentado pelo cientista político René Dreifuss, em seu livro "1964: A Conquista do Estado" (Vozes, 1981). Ele teve acesso ao Caixa 2 do IPES/IBAD.

Nós, toda a torcida do Flamengo e Deus que estava vendo tudo, sabíamos que dom Eugênio era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura. Se não sofro de amnésia – e não sofro de amnésia ou de qualquer doença neurodegenerativa – posso garantir que na época ele nem disfarçava, ao contrário manifestava publicamente orgulho do livre trânsito que tinha entre os militares e os poderosos.

"Quem tem dúvidas…basta pesquisar os textos assinados por ele no JB e n'O Globo" – escreve a jornalista Hildegard Angel, que foi colunista dos dois jornais e avaliou assim a opção preferencial do cardeal:
"A Igreja Católica, no Rio, sob a égide de dom Eugenio Salles, foi cada vez mais se distanciando dos pobres e se aproximando, cultivando, cortejando as estruturas do poder. Isso não poderia acabar bem. Acabou no menor percentual de católicos no país: 45,8%…"

Portões do Sumaré

Por isso, a jornalista estranhou – e nós também – a forma como o cardeal Eugenio Sales foi retratado no velório pelas autoridades. Ele foi apresentado como um combatente contra a ditadura, que abriu os portões da residência episcopal para abrigar os perseguidos políticos. O prefeito Eduardo Paes, em campanha eleitoral, declarou que o cardeal "defendeu a liberdade e os direitos individuais". O governador Sérgio Cabral e até o presidente do Senado, José Sarney, insistiram no mesmo tema, apresentando dom Eugênio como o campeão "do respeito às pessoas e aos direitos humanos".

Não foram só os políticos. O jornalista e acadêmico Luiz Paulo Horta escreveu que dom Eugênio chegou a abrigar no Rio "uma quantidade enorme de asilados políticos", calculada, por baixo, numa estimativa do Globo, em "mais de quatro mil pessoas perseguidas por regimes militares da América do Sul". Outro jornalista, José Casado, elevou o número para cinco mil. Ou seja, o cardeal era um agente duplo.

Publicamente, apoiava a ditadura e, por baixo dos panos, na clandestinidade, ajudava quem lutava contra. Só faltou arranjarem um codinome para ele, denominado pelo papa Bento XVI como "o intrépido pastor".
Seria possível acreditar nisso, se o jornal tivesse entrevistado um por cento das vítimas. Bastaria 50 perseguidos nos contarem como o cardeal com eles se solidarizou. No entanto, o jornal não dá o nome de uma só – umazinha – dessas cinco mil pessoas. Enquanto isto não acontecer, preferimos ficar com o corajoso depoimento de Hildegard Angel, cujo irmão Stuart, foi torturado e morto pelo Serviço de Inteligência da Aeronáutica. Sua mãe, a estilista Zuzu Angel, procurou o cardeal e bateu com a cara na porta do palácio episcopal.

Segundo Hilde, dom Eugênio "fechou os olhos às maldades cometidas durante a ditadura, fechando seus ouvidos e os portões do Sumaré aos familiares dos jovens ditos "subversivos" que lá iam levar suas súplicas, como fez com minha mãe Zuzu Angel (e isso está documentado)". Ela acha surpreendente que os jornais queiram nos fazer acreditar "que ocorreu justo o contrário!", como no filme "Uma cidade sem passado".
Mas não é tão surpreendente assim. O texto de Hildegard menciona a grande habilidade, em vida, de dom Eugenio, em "manter ótimas relações com os grandes jornais, para os quais contribuiu regularmente com artigos". As azeitadas relações com os donos dos jornais e com alguns jornalistas em postos-chave continuaram depois da morte, como é possível constatar com a cobertura do velório. A defesa de dom Eugênio, na realidade, funciona aqui como uma autodefesa da mídia e do poder.

Os jornais elogiaram, como uma virtude e uma delicadeza, o gesto do cardeal Eugenio Sales que cada vez que ia a Roma levava mamão-papaia para o papa João Paulo II, com o mesmo zelo e unção com que o senador Alfredo Nascimento levava tucumã já descascado para o café da manhã do então governador Amazonino Mendes. São os rituais do poder com seus rapapés.

"Dentro de uma sociedade, assim como os discursos, as memórias são controladas e negociadas entre diferentes grupos e diferentes sistemas de poder. Ainda que não possam ser confundidas com a "verdade", as memórias têm valor social de "verdade" e podem ser difundidas e reproduzidas como se fossem "a verdade" – escreve Teun A. van Dijk, doutor pela Universidade de Amsterdã.

A "verdade" construída pela mídia foi capaz de fotografar até "a presença do Espírito Santo" no funeral. Um voluntário da Cruz Vermelha, Gilberto de Almeida, 59 anos, corretor de imóveis, no caminho ao velório de dom Eugênio, passou pelo abatedouro, no Engenho de Dentro, comprou uma pomba por R$ 25 e a soltou dentro da catedral. A ave voou e posou sobre o caixão: "Foi um sinal de Deus, é a presença do Espírito Santo" – berraram os jornais. Parece que vale tudo para controlar a memória, até mesmo estabelecer preço tão baixo para uma das pessoas da Santíssima Trindade. É muita falta de respeito com a fé das pessoas.
"A mídia deve ser pensada não como um lugar neutro de observação, mas como um agente produtor de imagens, representações e memória" nos diz o citado pesquisador holandês, que estudou o tratamento racista dispensado às minorias étnicas pela imprensa europeia. Para ele, os modos de produção e os meios de produção de uma imagem social sobre o passado são usados no campo da disputa política.

Nessa disputa, a mídia nos forçou a fazer os comentários que você acaba de ler, o que pode parecer indelicadeza num momento como esse de morte, de perda e de dor para os amigos do cardeal. Mas se a gente não falar agora, quando então? Stuart Angel e os que combateram a ditadura merecem que a gente corra o risco de parecer indelicado. É preciso dizer, em respeito à memória deles, que Dom Eugênio tinha suas virtudes, mas uma delas não foi, certamente, a solidariedade aos perseguidos políticos para quem os portões do Sumaré, até prova em contrário, permaneceram fechados. Que ele descanse em paz!

P.S: O jornalista amazonense Fábio Alencar foi quem me repassou o texto de Hildegard Angel, que circulou nas redes sociais. O doutor Geraldo Sá Peixoto Pinheiro, historiador e professor da Universidade Federal do Amazonas, foi quem me indicou, há anos, o filme "Uma cidade sem passado". Quem me permitiu discutir o conceito de memória foram minhas colegas doutoras Jô Gondar e Vera Dodebei, organizadoras do livro "O que é Memória Social" (Rio de Janeiro: Contra Capa/ Programa de Pós- Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2005). Nenhum deles tem qualquer responsabilidade sobre os juízos por mim aqui emitidos.

José Ribamar Bessa Freire e professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ) e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)


Fonte:
LN

segunda-feira, 16 de julho de 2012

"Somos tão jovens" - 5 aninhos!



Querid@s amigos virtuais e não virtuais,

nós da Equipe Diversidade Católica queremos agradecer cada felicitação que recebemos nas Redes Sociais.
Dia 14, neste sábado que passou, fizemos 5 anos que nos reunimos e colocamos o nosso site, já conhecido, no ar. Desde aquele momento tivemos um trajetória de amadurecimento de ideias de um grupo bem pequeno, mais de grandes ambições que se formou pelos cafés da tarde aqui do Rio.

 Assim como tudo que nasce meio sem rumo, só com vontades, ideias e desejos o Diversidade, ou DC para os íntimos, se formou...E como crianças contando aos amigos a novidade que tínhamos nas mãos de que a mensagem de Cristo pode sim ser inclusiva ...Chegando a receber cerca de 100 emails/mês, na época, entre insultos, elogios e pedidos de ajuda...Continuamos caminhando nos sentindo tão jovens, com muito que aprender e estudar para que como leigos possamos sempre fazer ecoar o que importa:

Esse amor de Cristo que nos uniu!

Uma excelente semana a todos...



Equipe Diversidade Católica

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Pastor classifica cura gay como “desrespeito” e afirma que homossexualismo “não era um problema para Jesus”. Assista na íntegra

As discussões em torno do debate existente entre religiosos e homossexuais, e o projeto apelidado de “cura gay”, de autoria do deputado federal João Campos (PSDB-GO), presidente da bancada evangélica no Congresso Nacional, foram tema de uma entrevista com o pastor Alexandre Cabral para o programa Conexão Jornalismo.

Alexandre Cabral é pastor presbiteriano e professor de teologia, e afirmou durante a entrevista que o cristianismo não sabe lidar com as questões sexuais: “Nós cristãos não sabemos lidar com o problema sexual, com o problema do prazer”.

O pastor defendeu a “laicidade do Estado” e afirmou que o projeto de “cura gay” demonstra “desrespeito” e que “se assemelha ao nazismo”. Cabral ressaltou ainda que o nazismo foi um movimento que tinha proximidades com o cristianismo protestante.

Cabral citou Martinho Lutero e sua definição do termo “palavra de Deus”, e disse que Jesus não falou sobre a homossexualidade: “Você não tem nenhuma relação, de nenhum texto dos evangelhos de Jesus com padronização dos prazeres sexuais”, e emenda dizendo que “isso mostra que isso não era um problema para Jesus”.

Para o pastor presbiteriano, o projeto de cura gay “é uma forma de tentar legitimar uma padronização moral de uma das religiões que compõem o quadro das religiões no Brasil”.
Confira abaixo a íntegra da entrevista do pastor Alexandre Cabral ao programa “Conexão Jornalismo”:

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A Cura Gay





A imagem que você vê acima é um dispositivo medieval de tortura que fora utilizada em sessões de exorcismo.  

O asco que se sente ao olhá-las hoje não representava, talvez, o mesmo asco do passado. Talvez, fosse comum se saber de sua existência e também tivesse pessoas dentro da própria Igreja que não concordasse com os métodos medievais, até porque eram da Idade chama de Medieval por nós hoje.

Curioso é pensar como os mesmos dispositivos só se atualizaram e acompanharam o tempo e a “evolução” humana, aproveitando-se de tudo que pôde para de alguma maneira continuar existindo, só que com outras roupagens mais atuais. 

Fico muito tranquilo pra afirmar que o “dispositivo” se atualizou pra manter viva uma ideia, uma visão de mundo, um disputa de poder que persiste e infelizmente se mantém imutável. Nem sei dar nome do porque disso...

Mas, passo a palavra para o Contardo Calligaris, psicanalista e doutor em psicologia clinica e reproduzo abaixo o texto de sua coluna na Folha de São Paulo da semana passada.

Rodolfo Viana
 Equipe Diversidade Católica

***

A CURA GAY

Em 1980, a homossexualidade sumiu do "Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais". Em 1990, ela foi retirada da lista de doenças da Organização Mundial da Saúde.

Médicos, psiquiatras e psicólogos não podem oferecer uma cura para uma condição que, em suas disciplinas, não é uma doença, nem um distúrbio, nem um transtorno. Isso foi lembrado por Humberto Verona, presidente do Conselho Federal de Psicologia, numa entrevista à Folha de 29 de junho.
No entanto, o deputado João Campos (PSDB-GO), da bancada evangélica, pede que, por decreto legislativo, os psicólogos sejam autorizados a "curar" os homossexuais que desejem se livrar de sua homossexualidade.

Um pressuposto desse pedido é a ideia de que os psicólogos saberiam como mudar a orientação sexual de alguém (transformá-lo de hétero em homossexual e vice-versa), mas seriam impedidos de exercer essa arte --por razões ideológicas, morais, politicamente corretas etc.

Ora, no estado atual de suas disciplinas, mesmo se eles quisessem, psicólogos e psiquiatras não saberiam modificar a orientação sexual de alguém --tampouco, aliás, eles saberiam modificar a "fantasia sexual" de alguém (ou seja, o cenário, consciente ou inconsciente, com o qual ele alimenta seu desejo).

Claro, ao longo de uma terapia, alguém pode conseguir conviver melhor com seu próprio desejo, mas sem mudar fundamentalmente sua orientação e sua fantasia.

Por via química ou cirúrgica (administração de hormônios ou castração real --todos os horrores já foram tentados), consegue-se diminuir o interesse de alguém na vida sexual em geral, mas não afastá-lo de sua orientação ou de sua fantasia, que permanecem as mesmas, embora impedidas de serem atuadas. A terapia pela palavra (psicodinâmica ou comportamental que seja) tampouco permite mudar radicalmente a orientação ou a fantasia de alguém.

O que acontece, perguntará João Campos, nos casos de homossexualidade com a qual o próprio indivíduo não concorda? Posso ser homossexual e não querer isso para mim: será que ninguém me ajudará?
Sim, é possível curar o sofrimento de quem discorda de sua própria sexualidade (é a dita egodistonia), mas o alívio é no sentido de permitir que o indivíduo aceite sua sexualidade e pare de se condenar e de tentar se reprimir além da conta.

Por exemplo, se eu não concordo com minha homossexualidade (porque ela faz a infelicidade de meus pais, porque sou discriminado por causa dela, porque sou evangélico ou católico), não posso mudar minha orientação para aliviar meu sofrimento, mas posso, isso sim, mudar o ambiente no qual eu vivo e as ideias, conscientes ou inconscientes, que me levam a não admitir minha orientação sexual.

Campos preferiria outro caminho: o terapeuta deveria fortalecer as ideias que, de dentro do paciente, opõem-se à homossexualidade dele. Mas o desejo sexual humano é teimoso: uma psicoterapia que vise reforçar os argumentos (internos ou externos) pelos quais o indivíduo se opõe à sua própria fantasia ou orientação não consegue mudança alguma, mas apenas acirra a contradição da qual o indivíduo sofre. Conclusão, o paciente acaba vivendo na culpa de estar se traindo sempre --traindo quer seja seu desejo, quer seja os princípios em nome dos quais ele queria e não consegue reprimir seu desejo.

Isso vale também e especialmente em casos extremos, em que é absolutamente necessário que o indivíduo controle seu desejo. Se eu fosse terapeuta no Irã, para ajudar meus pacientes homossexuais a evitar a forca, eu não os encorajaria a reprimir seu desejo (que sempre explodiria na hora e do jeito mais perigosos), mas tentaria levá-los, ao contrário, a aceitar seu desejo, primeiro passo para eles conseguirem vivê-lo às escondidas.

O mesmo vale para os indivíduos que são animados por fantasias que a nossa lei reprova e pune. Prometer-lhes uma mudança de fantasia só significa expô-los (e expor a comunidade) a suas recidivas incontroláveis. Levá-los a reconhecer a fantasia da qual eles não têm como se desfazer é o jeito para que eles consigam, eventualmente, controlar seus atos.

Agora, não entendo por que João Campos precisa recorrer à psicologia ou à psiquiatria para prometer sua "cura" da homossexualidade. Ele poderia criar e nomear seus especialistas; que tal "psicopompos"? Ou, então, não é melhor mesmo "exorcistas"?

Fonte:

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Ânimo!!!

O video é um pouquinho velho...

Mas, vale para lembrar que diante de tanta ignorância o que é preciso ser curado mesmo é a falta de Amor.






Amigos, força e esperança. Não vamos desanimar e nem replicar o mesmo ódio.


ps.:

Semana que vem, voltamos firmes e fortes!

:)

Rodolfo Viana

Equipe Diversidade Católica

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Casamento Coletivo Gay é Promovido no Pará




Públicamos agora o discurso a respeito do casamento coletivo gay feito no Estado do Pará ontem, Dia Mundial do Orgulho LGBT.


É importante ressaltar que foi a primeira que o Pará teve um CASAMENTO coletivo gay. Não é união estável. 18 casais saíram com 18 certidões de casamento nas mãos.
 

*****


DISCURSO PROFERIDO NO CASAMENTO COLETIVO EM 28 DE JUNHO DE 2012 – METROPOLITAN TOWER – BELÉM/PA


Prezados senhores, prezadas senhoras, autoridades aqui presentes, amigos, familiares, prezados noivos e noivas,

É com enorme satisfação que damos início a esta cerimônia, melhor dizendo, a esta celebração em que nos comprometeremos - todos nós - a colocar o amor à frente de qualquer sentimento, a compreensão à frente de qualquer virtude, o carinho à frente de qualquer gesto.

E que fique claro: não é para qualquer um a decisão de se unir a outra pessoa, com ela constituir uma vida em comum e gerar, de forma definitiva, uma família.

E aqui surge a expressão mais importante deste dia: a constituição de uma família. Se ao longo de toda a história se preservou a relação entre maridos e esposas, pais e filhos, genros, noras, sogros e sogras, hoje também preservaremos a relação entre companheiros e companheiras. Homens e mulheres que decidiram encarar de frente essa guerra diária contra o preconceito e a homofobia para efetivamente se unirem a alguém do mesmo sexo e constituir uma família.

Talvez alguns de vocês queiram ter filhos, e esta será uma decisão soberana da qual ninguém terá o direito de ser contra. Ou talvez vocês prefiram não tê-los, pois o amor que um sente pelo outro seja tão pleno que se baste por toda a eternidade.

De uma maneira ou de outra, não há nada, absolutamente nada diferente entre a família que os senhores e senhoras constituirão e o modelo heteroafetivo que, a cada dia, se torna tão somente mais um modelo.

Ou não! Talvez a família que surja deste casamento seja completamente distinta de tudo o que se viu até hoje. E se pensarmos bem, qual é a família que não se apresenta completamente distinta das demais?

Quem aqui pode negar a diversidade existente entre dois vizinhos? Entre duas crianças da mesma idade que estudam no mesmo colégio? Entre irmãos gêmeos? Quem nega a diversidade entre si e o homem ou a mulher que ama?

Somos mesmo todos iguais? E ao mesmo tempo: será que somos assim tão diferentes?

Respeite a diferença! Respeite a igualdade! É preciso encontrar dentro de cada coração o verdadeiro sentido que sempre moveu o mundo: a missão gloriosa de fazer o outro transbordar de felicidade. E não parece nada leviano dizer que hoje os corações de todos esses noivos e noivas transbordam exatamente dessa felicidade.

Porque chegaram até aqui ou que caminho trilharam, quais lutas perderam e quais as que ganharam, isso pertence à história exclusiva de cada indivíduo, de cada casal, de cada – repita-se – família. Mas uma coisa todos nós temos certeza, ninguém chegou aqui de forma fácil, simples, sem lutar, sem chorar ou sem querer.

Nossas histórias são diversas, nossas personalidades são distintas, nossa visão do mundo e da vida é absolutamente única. Por que então não aproveitar esse momento para celebrar também essa nossa diversidade? E que ironia! É justamente isso o que nos torna tão parecidos no Amor.

A partir de hoje o mundo os verá como uma só criatura e, mesmo sendo formada por dois homens ou por duas mulheres, ainda assim vocês terão que saber respeitar a própria diversidade que existe entre vocês. Mas isso não é tão novo assim: é exatamente o que aprenderam a fazer do momento em que se conheceram até agora.

A ideia de casal não nasce com a assinatura de um documento. O papel e a caneta apenas concordam – e provavelmente se sentem honrados – em selar tudo o que foi vivido até aqui e o muito que ainda será. Porque há algo superior ao “sim” que vocês dirão. E é algo que somente vocês conhecem, aceitam e fazem questão de que todos saibam o que é. E não se preocupem: por mais difícil que seja colocar esse sentimento em palavras, no momento em que vocês disserem aquele “sim”, todos nós entenderemos.

Entenderemos também quando olharem uns para os outros e disserem: “eu te amo”. Pois digam! Não tenham vergonha nem medo. Já tivemos medo demais do que os outros pensam do Amor que hoje vocês consagram. Digam sempre o que sentem de verdade: assim que acordarem; quando almoçarem juntos no meio da correria do dia a dia; nos dias nublados; no doce entardecer; antes de dormir. O amor precisa ser dito sempre.

Não percam o brilho que hoje nós vemos no olhar de cada um de vocês. É aqui que se reconhece o quanto esse momento é sublime, e o quando essa celebração será repetida diariamente nas suas vidas.

Lutem! Busquem o impossível, se for necessário. Façam das tripas coração para defender os direitos que vocês possuem: direitos civis, direitos humanos, direitos naturais. Por que eles são muitos, são belos, e acima de tudo, são legítimos. Não duvidem disso, mesmo que às vezes essa luta pareça não ter fim. Mas vocês chegaram até aqui, não chegaram? Nós chegamos! Então não há o que temer enquanto permanecermos unidos; enquanto vocês, como família que são e que sempre foram, continuarem se amando.

E sejam felizes, acima de qualquer coisa e em qualquer circunstância, porque isso é tudo o que a Defensoria Pública do Estado do Pará deseja para cada um de vocês. Nada mais.
  

Sergio Sales Pereira Lima
Defensor Público do Estado do Pará 





Equipe Diversidade Católica 
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