sexta-feira, 6 de julho de 2012

Ânimo!!!

O video é um pouquinho velho...

Mas, vale para lembrar que diante de tanta ignorância o que é preciso ser curado mesmo é a falta de Amor.






Amigos, força e esperança. Não vamos desanimar e nem replicar o mesmo ódio.


ps.:

Semana que vem, voltamos firmes e fortes!

:)

Rodolfo Viana

Equipe Diversidade Católica

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Casamento Coletivo Gay é Promovido no Pará




Públicamos agora o discurso a respeito do casamento coletivo gay feito no Estado do Pará ontem, Dia Mundial do Orgulho LGBT.


É importante ressaltar que foi a primeira que o Pará teve um CASAMENTO coletivo gay. Não é união estável. 18 casais saíram com 18 certidões de casamento nas mãos.
 

*****


DISCURSO PROFERIDO NO CASAMENTO COLETIVO EM 28 DE JUNHO DE 2012 – METROPOLITAN TOWER – BELÉM/PA


Prezados senhores, prezadas senhoras, autoridades aqui presentes, amigos, familiares, prezados noivos e noivas,

É com enorme satisfação que damos início a esta cerimônia, melhor dizendo, a esta celebração em que nos comprometeremos - todos nós - a colocar o amor à frente de qualquer sentimento, a compreensão à frente de qualquer virtude, o carinho à frente de qualquer gesto.

E que fique claro: não é para qualquer um a decisão de se unir a outra pessoa, com ela constituir uma vida em comum e gerar, de forma definitiva, uma família.

E aqui surge a expressão mais importante deste dia: a constituição de uma família. Se ao longo de toda a história se preservou a relação entre maridos e esposas, pais e filhos, genros, noras, sogros e sogras, hoje também preservaremos a relação entre companheiros e companheiras. Homens e mulheres que decidiram encarar de frente essa guerra diária contra o preconceito e a homofobia para efetivamente se unirem a alguém do mesmo sexo e constituir uma família.

Talvez alguns de vocês queiram ter filhos, e esta será uma decisão soberana da qual ninguém terá o direito de ser contra. Ou talvez vocês prefiram não tê-los, pois o amor que um sente pelo outro seja tão pleno que se baste por toda a eternidade.

De uma maneira ou de outra, não há nada, absolutamente nada diferente entre a família que os senhores e senhoras constituirão e o modelo heteroafetivo que, a cada dia, se torna tão somente mais um modelo.

Ou não! Talvez a família que surja deste casamento seja completamente distinta de tudo o que se viu até hoje. E se pensarmos bem, qual é a família que não se apresenta completamente distinta das demais?

Quem aqui pode negar a diversidade existente entre dois vizinhos? Entre duas crianças da mesma idade que estudam no mesmo colégio? Entre irmãos gêmeos? Quem nega a diversidade entre si e o homem ou a mulher que ama?

Somos mesmo todos iguais? E ao mesmo tempo: será que somos assim tão diferentes?

Respeite a diferença! Respeite a igualdade! É preciso encontrar dentro de cada coração o verdadeiro sentido que sempre moveu o mundo: a missão gloriosa de fazer o outro transbordar de felicidade. E não parece nada leviano dizer que hoje os corações de todos esses noivos e noivas transbordam exatamente dessa felicidade.

Porque chegaram até aqui ou que caminho trilharam, quais lutas perderam e quais as que ganharam, isso pertence à história exclusiva de cada indivíduo, de cada casal, de cada – repita-se – família. Mas uma coisa todos nós temos certeza, ninguém chegou aqui de forma fácil, simples, sem lutar, sem chorar ou sem querer.

Nossas histórias são diversas, nossas personalidades são distintas, nossa visão do mundo e da vida é absolutamente única. Por que então não aproveitar esse momento para celebrar também essa nossa diversidade? E que ironia! É justamente isso o que nos torna tão parecidos no Amor.

A partir de hoje o mundo os verá como uma só criatura e, mesmo sendo formada por dois homens ou por duas mulheres, ainda assim vocês terão que saber respeitar a própria diversidade que existe entre vocês. Mas isso não é tão novo assim: é exatamente o que aprenderam a fazer do momento em que se conheceram até agora.

A ideia de casal não nasce com a assinatura de um documento. O papel e a caneta apenas concordam – e provavelmente se sentem honrados – em selar tudo o que foi vivido até aqui e o muito que ainda será. Porque há algo superior ao “sim” que vocês dirão. E é algo que somente vocês conhecem, aceitam e fazem questão de que todos saibam o que é. E não se preocupem: por mais difícil que seja colocar esse sentimento em palavras, no momento em que vocês disserem aquele “sim”, todos nós entenderemos.

Entenderemos também quando olharem uns para os outros e disserem: “eu te amo”. Pois digam! Não tenham vergonha nem medo. Já tivemos medo demais do que os outros pensam do Amor que hoje vocês consagram. Digam sempre o que sentem de verdade: assim que acordarem; quando almoçarem juntos no meio da correria do dia a dia; nos dias nublados; no doce entardecer; antes de dormir. O amor precisa ser dito sempre.

Não percam o brilho que hoje nós vemos no olhar de cada um de vocês. É aqui que se reconhece o quanto esse momento é sublime, e o quando essa celebração será repetida diariamente nas suas vidas.

Lutem! Busquem o impossível, se for necessário. Façam das tripas coração para defender os direitos que vocês possuem: direitos civis, direitos humanos, direitos naturais. Por que eles são muitos, são belos, e acima de tudo, são legítimos. Não duvidem disso, mesmo que às vezes essa luta pareça não ter fim. Mas vocês chegaram até aqui, não chegaram? Nós chegamos! Então não há o que temer enquanto permanecermos unidos; enquanto vocês, como família que são e que sempre foram, continuarem se amando.

E sejam felizes, acima de qualquer coisa e em qualquer circunstância, porque isso é tudo o que a Defensoria Pública do Estado do Pará deseja para cada um de vocês. Nada mais.
  

Sergio Sales Pereira Lima
Defensor Público do Estado do Pará 





Equipe Diversidade Católica 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Jesus e a Máquina do Tempo de McFly




Ontem foi um dia interessantíssimo, quase esquecido por todos, porém vívido (e revivido nas Sessões da Tarde) por todos que amavam as previsões futuristas de “De Volta para o Futuro”.


Se você der uma Googada vai encontrar zilhões de referencias
sobre o dia de ontem. 

Se não me engano, o dito “Futuro” escolhido por Marty McFly na máquina do tempo no “capacitador de fluxo” foi ontem – 27/06/2012. Pelo que me lembro das Sessões
da Tarde era que no final do primeiro filme que ele ‘retornava’ ao futuro,
em 2012, pra consertar alguma M*.



Momentos nostálgicos à parte, embora sinta muita falta de ter um Skate voador. Creio que McFly não fazia ideia do que se passa aqui no Futuro. Já que ele chegou aqui ontem, vamos supor que por alguma complicação legal ou qualquer dessas coisas incompreensíveis que se passa nesta época, confiscamos o seu automóvel. Mas, só teremos uma oportunidade de voltar ao passado, afinal o “capacitador de fluxo” do Dr. Brown só tem bateria pra fazer uma única viagem, lembram? Já que vivemos num Estado de Plena Democracia, diferente das ditaduras latinas que vivemos no passado, na época da gravação do filme, proponho uma votação.  

Se formos lá em 1988, na época da criação da constituição brasileira, a chamada de “Constituição Cidadã” posso negritar algumas partes e por uns asteriscos. Negritaria aquela parte que diz aquele blabla que aqui no Futuro “todos são iguais perante a lei” e algumas outras frases e artigos esquecidos. Nessa citação que nem sei se está escrita assim mesmo, só destacaria o “todos” e colocaria o asterisco, “*Então, todos!” . Tenho certeza que isso ajudaria o pessoal aqui do Futuro.

                Proponho outra data pra gente voltar também, podemos aproveitar o momento bíblico mais polemico onde Jesus passa 3 dias, não sei aonde, e depois recussita. Aproveitaríamos esse recesso de Jesus, daríamos as devidas explicações de onde estamos vindo (Ele entenderia, afinal é Jesus) e lhe pedimos algumas gentilezas.

Algo do tipo:

A gente já sabe que você vai voltar e ter um papo bacana com São Tomé, depois explicamos também está história de “São”. Enfim, sabemos que você vai ter um papo com Tomé meio rapidinho antes de subir ao céu, então se não for pedir muito esclarece alguns pontos pra gente?Alias pra gente do Futuro que vivemos num processo chamado democracia é meio burocrático algumas coisas, se possível seja um pouco mais claro nos itens abaixo:
  • Depois que você subir vai ter um livro chamado Bíblia que vão escrever tudinho que você disse, então explica que não foi você que fundou a Igreja Católica. Isso dá uma M* na Idade Moderna que você tem noção e se arrasta até no Futuro.

  • Aproveita também a deixa de Tomé e explica que os Judeus não tiveram nada haver com sua Crucificação. Eu sei você é Judeu, mas as chagas que você tem nas mãos quem vai pagar o pato são os Judeus.
  •  Já sei que no seu discurso de ascensão ao céu você já preparou muita coisa legal, tá lá nas nossas escrituras que é um update das Leis que você sempre falou. Dá uma batida nos principais pontos bem naquela hora que você sobe e que Michelangelo faz uma foto linda sua. É que lá no Futuro a gente vive numa cultura da imagem e acho que vai ter mais impacto com o Senhor voando durante o discurso.
  • Assim, é muito serio esse negocio da imagem lá no Futuro! Serio mesmo! Tem como você tirar uma foto comigo apertando a minha mão e me dando aquele beijão no rosto que só os Cristãos sabem dar? Porque lá no Futura, em 2012, teve uma foto sensacional tipo essa que tô te pedindo, que saiu em todos os jornais de um aperto de mão e a galera lá gosta disso, sabe?! Assim vai ficar mais fácil explicar que não tem problema ser gay e cristão. Lá no Futuro costumamos dizer que uma “imagem vale mais que mil palavras”. Você não tem ideia da lenga, lenga que vai evitar me quebrando essa. Pode ser? 


                Bem, essa é a minha proposta já que ontem foi o destino da Maquina do Tempo de McFly e do Dr. Brow. Se ontem dia 27 de junho de 2012, conseguíssemos mesmo voltar no tempo e pedir pra Jesus esse Check-list antes da subida poderíamos ter um dia hoje diferente. 


                Hoje, aqui no Futuro é dia 28 de Junho -  Dia Mundial do Orgulho LGBT e ainda lutamos contra a homofobia, um troço que não dá pra entender que diante de tanta projeção futurística, clonagem humana, viagem à lua, muitas e muitas ficções que se tornaram realidade o homem ainda tenha um pensamento tão atrasado e tantas outras segregações. Sei lá, quem sabe se Jesus “quebrar essa” hoje aqui no Futuro, dia 28, façamos O Dia Mundial de Celebração Ao Amor ou só tenhamos um dia normal.

***

Ahh...só mais um adendo e esse é facinho: “Então, Jesus... a Galera não entendeu nada sobre aquela historia de amai-vos uns aos outros...Vai por mim que sou do ‘Futuro’ destaca bem essa parte vai...” Aí quem sabe as coisas cheguem no Futuro um pouco melhores.


Grato;

Rodolfo Viana
Equipe Diversidade Católica

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Mães pela Igualdade - Programa Andante



O Andante é um programa de cultura produzido por profissionais especializados contratados pela Uerj.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

"Como é a tua Família?"

Simpática ilustração!

:)

Rodolfo Viana

Equipe Diversidade Católica

terça-feira, 19 de junho de 2012

CQC - Proteste Já: Doação de Sangue


O CQC no dia 11/06 fez um programa especial sobre Diversidade Sexual, aproveitando o mote da Parada Gay de São Paulo. Pra quem não conhece há um quadro chamado "Proteste Já". O "Proteste Já" falou sobre doação de sangue e faz a pergunta: “Será que existe alguma diferença entre heterossexuais e homossexuais na hora de doar sangue?”

O CQC, sempre bem humorado, é recorrente em pautar discussões muito serias a respeito da Diversidade Sexual.


   

Canal do CQC no Youtube aqui.


Rodolfo Viana 
Equipe Diversidade Católica

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Comunidade: quando a correção é fraterna


Hoje, na Igreja, precisamos, mais do que nunca, de correção fraterna, e os pastores da Igreja, que corrigem a comunidade cristã, por sua vez, devem ser corrigidos pela comunidade com respeito e sem contestação, nem, muito menos, desobediência.

A reflexão é do monge e teólogo italiano Enzo Bianchi, prior e fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado no jornal
Avvenire, dos bispos italianos, 20-05-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto, reproduzido via IHU.


Estamos no tempo pascal, no qual a Igreja nos convida a proclamar a boa notícia por excelência: "Cristo ressuscitou, ressuscitou verdadeiramente". Imersos nessa alegria, podemos olhar para trás, para o caminho quaresmal recém-percorrido, para verificar se foi um caminho de conversão e de crescimento espiritual, ou se não demos um passo para voltar ao Senhor, ou mesmo se acabamos cedendo ainda mais aos ídolos mundanos que sempre nos tentam.

Ao fazer esse exame de consciência, não podemos esquecer que, no início da Quaresma, Bento XVI endereçou à Igreja uma mensagem voltada a fazê-la refletir sobre o fim do seguimento: o amor, a caridade. Por isso, o papa de Roma nos forneceu o rastro de uma busca, de uma reflexão, de um compromisso cotidiano a ser assumido, o que se refere à correção fraterna.

Contaminados como estamos por uma verdadeira doença que é a indiferença uns pelos outros, a falta de proximidade, já não sabemos mais que a correção fraterna é uma das atitudes cristãs mais decisivas para a salvação do indivíduo e para a própria comunidade cristã, a Igreja. Se não nos sentimos protetores, responsáveis pelo irmão, pela irmã, pelo outro (cf. Gn 4, 9: "Por acaso eu sou o guarda do meu irmão?"), então vivemos no próprio autismo, sem olhar para os outros, sem nos aproximarmos do outro, sem praticar o face a face.

Desse modo, nunca nasce a ocasião para a correção recíproca, e, de fato, encoraja-se o crescimento do mal, que sempre será mais disseminado enquanto nunca for julgado. Entre as obras de misericórdia que aprendemos na catequese, havia também "advertir os pecadores", expressão talvez pouco feliz, porque parece pressupor que o cristão não pecador deve advertir quem o seja. Também por isso, provavelmente, essa obra foi esquecida, e assim se perdeu a memória do fato de que a instância subentendida a essa expressão é, na verdade, a da correção fraterna, uma correção sempre recíproca.

A mensagem de Bento XVI para esta Quaresma não me parece ter recebido uma recepção igual à que foi reservada às anteriores, e isso também diz muito sobre as dificuldades que os cristãos já têm com relação à prática da correção fraterna. Assumindo um estilo mundano, às vezes, alguns cristãos oscilam entre a indiferença e uma intervenção imediata violenta, caracterizada por insultos e por palavras que visam a deslegitimar a outra parte.

Com relação a isso, o Papa Bento XVI chegou até a escrever que, infelizmente, hoje, na Igreja, existe um "morder-se e um devorar-se uns aos outros" (cf. Gal 5, 15) que é escandaloso e contradiz gravemente a comunhão eclesial (Carta aos Bispos da Igreja Católica do dia 10 de março de 2009).

Sim, no tecido da vida eclesial, isso parece ser gravemente contraditório com relação ao Evangelho, ao estilo de Jesus, a uma vontade de comunhão que não perde a ocasião de declarar publicamente em palavras, mas que na realidade se desmente de modo persistente com o comportamento cotidiano, com acusações infundadas, com palavras caluniosas.

Porém, a correção fraterna está no coração da vida eclesial, é até indicada como necessária e normalizada pelas palavras de Jesus contidas nos Evangelhos. Como, portanto, ela pode ser praticada?

Acima de tudo, "prestando atenção uns aos outros" (cf. Hb 10, 24, versículo que intitula a mensagem de Bento XVI). O cristão é, por natureza, um vigilante, alguém que presta atenção, que mantém o seu olhar fixo no Senhor (cf. Hb 12, 2). A partir desse exercício de olhar com atenção para o Senhor, tornamo-nos capazes de olhar para os irmãos, para as irmãs e para os eventos da história cotidiana fazendo um discernimento sobre eles, isto é, lendo-os na sua verdade profunda e tentando olhar o outro com um olhar que o próprio Cristo teria voltado para ele.

Só quem assumiu o olhar, os sentimentos, o pensamento de Jesus também pode ver o outro na verdade, pode descobrir o seu mal, a sua culpa que jamais coincide com o outro – e, portanto, pode julgá-la na sua objetiva gravidade. Mas eu o repito – isso deve ser feito olhando para quem cometeu o mal, um homem ou uma mulher que é muito mais do que o pecado cometido: o outro sempre continua sendo uma pessoa, e nenhuma ação malvada por ele cometida pode nos fazer esquecer isso!

Normalmente olhamos o outro e logo vemos um ladrão, um mentiroso, um delinquente, uma prostituta... acabando por identificá-lo com a ação cometida: mas o ser humano é sempre muito mais do que o seu agir eventualmente julgado como negativo.

Portanto, para corrigir o outro é preciso se despojar do preconceito, daquele pensamento que nos habita e nos induz a julgar uma pessoa sobretudo pelo fato de que ele repetiu algumas vezes o seu pecado. Não, precisamos nos esforçar para ver o outro como Jesus o veria. Então, diante de uma mulher adúltera, não teríamos pedras nas mãos para apedrejá-la, mas, como Jesus ensinou, nos perguntaríamos se temos o direito de condenar quem cometeu o pecado, nós que somos pecadores como ela: "Quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra" (Jo 8, 7).

Se somos exercitados a "ter em nós os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo" (cf. Fl 2, 5), a "ter o pensamento de Cristo" (cf. 1 Cor 2, 16), então devemos e podemos praticar a exortação e a correção fraterna com sinceridade e parrésia, franqueza, sem dureza, sem nos colocarmos em posição de superioridade com relação ao outro. Cada um de nós é tentado, em seu próprio subjetivismo, a perder o sentido objetivo das coisas, a não saber mais avaliá-las a justa distância.

Precisamos, portanto, de outros que nos ajudem a voltar novamente à objetividade, que nos inspirem reservas, perguntas as quais devamos responder, se quisermos ser autênticos e permanecer na verdade. Sozinhos, isolados, sem a ajuda de outros e o confronto com eles, fazemos poucos avanços e caímos facilmente.

Corrigir – lembra o papa – "dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal". O próprio Jesus praticou muitas vezes a correção para aqueles que o escutavam ou o seguiam: desse modo, queria justamente exercitar a correção do pecador, e não dar-lhe a condenação ou a morte (cf. Ez 18, 23.32; 33, 11). Jesus usou palavras de reprovação, mas sempre finalizadas a dar a salvação. Ele o fez às vezes também com palavras fortes, de cólera, que relatam o seu pathos, isto é, comportando-se como verdadeiro herdeiro do pathos dos profetas, da sua paixão pelo ser humano e pela sua salvação, pela vida.

Não é por acaso que, no discurso de Jesus sobre a Igreja relatado no capítulo 18 do Evangelho segundo Mateus, se dê tanto espaço à correção fraterna. Nesse texto, registra-se uma indicação de tipo quase processual sobre o desenvolvimento da correção fraterna: "Se o seu irmão pecar, vá e mostre o erro dele, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele der ouvidos, você terá ganho o seu irmão. Se ele não lhe der ouvidos, tome com você mais uma ou duas pessoas, para que 'toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas' (Dt 19, 15). Caso ele não dê ouvidos, comunique à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele der ouvidos, seja tratado como se fosse um pagão ou um cobrador de impostos" (Mt 18, 15-17).

A correção deve, portanto, ocorrer em três etapas: a correção pessoal, discreta "só entre vocês dois", para que o irmão se reveja e o seu pecado não seja conhecido por outros. Depois, se necessário, a correção feita em dois ou três, de modo que quem cometeu uma culpa seja induzido a se rever na presença de mais irmãos. Se nem isso for suficiente, como medida extrema, que se faça uso da correção no meio da assembleia, diante de todos. Mas, se essa forma de correção também não tiver sucesso, Jesus pede que se adote contra quem errou a atitude que ele mesmo viveu com relação aos pagãos e aos pecadores. Nos lábios de Jesus, isso equivale a dizer: "Vá encontrá-lo, hospede-se com ele, coma com ele e converta-o com o seu amor e a sua atenção, como eu fiz com Levi, o publicano (cf. Mc 2, 13-17 e par.) e com tantos pecadores que estão no meu seguimento".

Corrigir, advertir é necessário, mas está habilitado a fazê-lo quem nutre o amor pelo irmão: cada um de nós também é responsável pelo outro, quem quer que seja, mas sobretudo de quem é irmão na fé e vive "o mandamento novo" do amor recíproco (cf. Jo 13, 24).

Certamente, "na hora, qualquer correção parece não ser motivo de alegria, mas de tristeza" (Hb 12, 11), porque quem é repreendido se sente humilhado e conhecido no seu próprio pecado. Mas, depois, torna-se verdade que, da correção, podem nascer "frutos de paz e de justiça" (cf. ibid.), e, portanto, podemos nos sentir amados por quem nos corrige.

Na parênese apostólica do Novo Testamento, pede-se mais de uma vez que se pratique a correção fraterna (cf. (cf. Rm 15, 14; 2Cor 2, 6-8; Gal 6, 1; Ef 5, 11; Col 3, 16; 1Ts 5, 12.14; 2Ts 3, 15; Tt 3, 10-11), mas esses ensinamentos já manifestam como a correção é difícil e cansativa, mesmo para quem a faz; indicam que, para corrigir, é preciso humildade e amor sincero; que nunca devemos nos sentir estranhos ao pecado do outro, nunca julgá-lo ou se considerar superior a ele. Enfim, nunca devemos praticar a correção como um inspetor que realiza a sua tarefa friamente: a correção cristã, de fato, não uma vigilância de tipo empresarial!

Na história – sabemo-lo bem –, a correção fraterna foi atestada principalmente nos primeiros séculos cristãos, depois quase desapareceu; ou, melhor, foi relegada aos mosteiros ou delegada à práxis do sacramento da penitência administrado individualmente. Nos mosteiros, que levam uma vida cenobítica, a correção ocorre todas as manhãs durante o capítulo, ou seja, a assembleia diária dos irmãos. Aqui, aquele que preside corrige os erros e os pecados comunitários, mas às vezes também corrige um irmão individual. Mas quem preside, o abade ou o prior, também pode ser corrigido e advertido pelos outros irmãos.

A respeito disso, escrevia Basílio de Cesareia: "Quem preside a comunidade não deve ser o único a não se beneficiar do apoio fraterno da correção recíproca, ele que exerce a função mais pesada" (Regras difusas 27). E o autor da Didaqué não perguntava talvez: "Corrigi-vos reciprocamente, não na ira, mas na paz" (15, 3)?

Na sua mensagem, Bento XVI pede com força o exercício da caridade fraterna na Igreja, na vida eclesial. Aqui, a correção fraterna se torna ainda mais difícil; demonstra-o o fato de que ela é muito pouco realizada, como fica aparece na prevalência da desobediência, da revolta, da divisão dentro da Igreja. Também nesse caso, a história é mestra. No primeiro milênio, a práxis da correção fraterna era bem atestada: há inúmeros exemplos de correção fraterna eclesial entre as Igrejas orientais e a Igreja latina romana (pense-se apenas na de Basílio de Cesareia com relação ao Papa Dâmaso I), e muitas tensões foram resolvidas graças ao diálogo, à escuta recíproca e à correção. No segundo milênio, ao contrário, raros são os casos de correção fraterna praticada pelo simples fiel com relação à autoridade, mesmo a suprema.

Perguntemo-nos com franqueza: se a escuta fosse mais praticada, se fosse aceita a correção recíproca, teríamos sofrido o grande cisma do Ocidente, aquele em que Lutero, de fato, levou trouxe a divisão à Igreja? O grande rabino Tarfon, depois do Holocausto de 70 d.C., defendeu que o povo de Deus havia sofrido a humilhante catástrofe porque não tinha sabido praticar humildemente a correção fraterna...

Mas há algumas exceções, que vale a pena elencar brevemente. Clássica, conhecidíssima e de perene atualidade é a correção praticada pela abade de Claraval, Bernardo, com relação ao Papa Eugênio III, no seu De consideratione (1150 ca.). Bernardo chega até a lembrar ao papa audaciosamente que ele é o sucessor de Pedro, e não de Constantino, e se dirige a ele dizendo: "Mesmo que estejas vestido de púrpura e caminhes coberto de ouro, não há nenhuma razão para que tu, que és o herdeiro do Pastor, tenhas tédio do ministério pastoral e sintas vergonha do Evangelho (cf. Rom 1, 16). Mas, se te dedicares com decidida vontade à evangelização, terás um lugar glorioso entre os apóstolos. Evangelizar significa pastorear. Portanto, faze a evangelização e serás pastor" (IV, 3.6).

Cerca de um século antes, deve ser lembrado Pedro Damião; depois de Bernardo, é a vez de Mechthild de Magdeburgo, depois Catarina de Siena, mulher de fogo, que, ao redor do fim do século XIV, durante o cativeiro de Avignon, criticava o Papa Gregório XI por não estar na sua cátedra de Roma. Mais tarde, viriam Vincenzo Quirini e Paolo Giustiniani; no século XIX, não podemos nos esquecer do Pe. Antonio Rosmini, e, no século passado, Pe. Primo Mazzolari.

No exercício da correção da Igreja por parte das autoridades da própria Igreja, devem ser lembrados ao menos Guillaume Durand, o bispo francês dos inícios do século XIV, que parece ter sido o primeiro a ter utilizado a expressão "reforma (da Igreja) na cabeça e nos membros"; o Papa Adriano VI, que, nos inícios do século XVI, reconheceu corajosamente a decadência da Igreja romana, identificando a sua causa principal nos comportamentos e nas escolhas da corte romana; e, sobretudo, o Papa João Paulo II, que, por ocasião do Jubileu do ano 2000, confessou os pecados dos cristãos na história pedindo perdão a Deus mediante uma solene liturgia pública.

Finalmente, gostaria de salientar que, a propósito da correção, dois conceitos são inseparáveis, embora em uma tensão recíproca nada fácil de resolver: correção fraterna, justamente, e obediência. Para exercer a correção fraterna precisamos ser guiados e iluminados por alguém, por alguma coisa, e, para o cristão, essa luz que dá orientação pode ser apenas o Evangelho que é Jesus Cristo e Jesus Cristo que é o Evangelho. E assim surge o valor da obediência. Sem obediência ao Evangelho e sem escuta a quem recebeu do Senhor a tarefa de ser testemunha do Evangelho, o apóstolo e portanto os seus sucessores, reinam a anarquia e a anomia – diz ainda Basílio – e não pode haver nem reciprocidade (allélon) nem comunhão (koinonia).

Hoje, na Igreja, precisamos, mais do que nunca, de correção fraterna, e os pastores da Igreja, que corrigem a comunidade cristã, por sua vez, devem ser corrigidos pela comunidade com respeito e sem contestação, nem, muito menos, desobediência.

Bento XVI lembrou recentemente na homilia pronunciada durante a Missa Crismal: "Será a desobediência um caminho para renovar a Igreja? (…) Pode-se intuir na desobediência algo da configuração a Cristo?" (5 de abril de 2012).

Não é verdade que a obediência nada mais é do uma virtude: ao contrário, é a virtude cristã por excelência, porque "Cristo Jesus se tornou obediente até à morte, e morte de cruz" (Fl 2, 5.8).


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