segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Cristianismo: uma religião ou a saída da religião?

Foto: Kenji Aoki

Reproduzimos abaixo um artigo de Maria Clara Bingemer,  professora do Departamento de Teologia e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio, publicado originalmente no site do CCB (Centro Cultural de Brasília). Os grifos são nossos.

Sempre nos pareceu muito evidente afirmar que o Cristianismo é uma religião. Pois na verdade isso não é tão claro assim. Cada vez mais a teologia se inclina por afirmar que o Cristianismo não pode ser definido como uma religião.O que significa isso? Na verdade, muitas coisas e que, se pensarmos bem, não irão nos parecer tão estranhas. Comecemos do começo. Ou melhor: comecemos por Jesus de Nazaré. Será que podemos afirmar que Jesus queria fundar uma religião?

Achamos que não. Jesus já tinha uma religião e não pensava em escolher outra. Era um judeu piedoso e fiel. O que o incomodava, justamente, era aquilo que os especialistas da religião haviam feito com a fé de Israel. Ao ler os quatro evangelhos, vemos claramente que a disputa de Jesus com os mandatários de sua religião se centra na distorção ou deturpação da imagem de Deus que os que se acreditavam donos da religião, do templo e da lei haviam feito. Haviam posto sobre os ombros do povo um peso tão absolutamente insuportável que era impossível de carregar. Um sem número de rubricas, ritos, prescrições.

Uma severidade implacável para com o cumprimento de todas essas mínimas normas e uma crueldade com as pessoas mais simples e humildes que não conseguiam cumpri-las por não terem condições de fazê-las. Jesus percebia que segmentos inteiros do povo eram declarados sem Deus: doentes, leprosos, pecadores. E que várias categorias de pessoas eram tratadas como cidadãos de segunda categoria dentro deste mesmo povo: mulheres, crianças.

A esses então Jesus anuncia uma boa notícia, um Evangelho: o projeto do Pai, o Reino é para eles também. Mais ainda: eles serão os primeiros a entrar, pois são humildes, se reconhecem pecadores, se sabem necessitados de misericórdia e perdão e não se acham donos inexpugnáveis e sobranceiros do dom de Deus que ninguém pode se arvorar em possuir.

Ao fazer isso, Jesus não queria atacar nem agredir a religião de seus pais, na qual havia nascido e a qual amava. Desejava apenas que a pureza do ideal da Aliança que sustentou a história e a caminhada de Israel pudesse continuar e crescer em toda a sua pureza. Porém por isso mesmo foi considerado blasfemo. Acusaram-no de agir contra a religião, de colocar em perigo a religião vigente que emanava do Templo de Jerusalém.

E por isso fazem um complô para matá-lo. E efetivamente o matam. É algo que deve fazer-nos pensar que quem matou Jesus não foi um grupo de bandidos e fora da Lei. Pelo contrário, foram homens considerados de bem, guardiães da ordem e da religião. Por crê-lo inimigo da religião de Israel, acreditaram dever eliminá-lo. Temiam que ele quisesse acabar com a religião e trazer uma nova religião. Na verdade a proposta de Jesus não é a de uma religião, e sim de um caminho: o caminho do amor, da justiça, da fraternidade.

O caminho da experiência de ser filhos de um Deus que é Pai bondoso, amoroso, misericordioso. E por isso, ser irmãos uns dos outros. Assim fazendo, Jesus desloca o eixo da presença de Deus do Templo para o ser humano. Anuncia que quando alguém está ferido à beira do caminho há que deter-se e socorrê-lo, atendê-lo, com todo o amor e desvelo possíveis. E não ir correndo para o templo porque se está atrasado para a celebração.


Quem se detém e pratica o amor para com o próximo ferido e desamparado, encontra a Deus. Mesmo que seja um idólatra, como o samaritano do capítulo 10 do evangelho de Lucas. Mesmo que esse Deus se revele fora do Templo e das rubricas da Lei. Com a morte de Jesus e a experiência de sua ressurreição, seus seguidores começaram a anunciar seu nome e um movimento de fé começou a criar-se em torno dele. E essa fé necessitava de uma religião para expressar-se. Por isso tomou os ritos do judaísmo e acrescentou outros.

O Cristianismo nascente tentou ficar dentro da sinagoga. Não foi possível e o próprio Paulo - judeu filho de judeus, circuncidado ao oitavo dia, da tribo de Benjamin, formado aos pés de Gamaliel -, com muita dor na alma, foi quem chefiou o movimento de ruptura e ida aos gentios. Espalhou-se pelo mundo a nova proposta, cresceu e configurou todo o ocidente. Aquilo que começara humildemente em Nazaré da Galiléia, com o carpinteiro fazedor de milagres que chamava Deus de "Abba" (Paizinho) tornava-se, sobretudo depois do século IV, a religião mais poderosa e hegemônica do mundo.

Foi preciso que houvesse a virada da modernidade, o declínio do mundo teocêntrico medieval, que o Cristianismo perdesse o poder que tinha de instância normativa dentro da sociedade para que aparecesse a verdade inicial em toda a sua pureza. O Cristianismo não é uma religião. Ou, se for, é uma religião da saída da religião. É um caminho de fé que opera pelo amor, um estilo de viver, nas pegadas de Jesus de Nazaré, que passou pelo mundo fazendo o bem. O que isso quer dizer para nós hoje? Que tudo que é religioso é mau? De forma alguma.

Os gestos, os rituais, as normas, as formulas religiosas são boas desde que enunciem a verdade de uma fé, de um sentido de vida que se expressa na abertura a Deus e ao outro. E por isso são relativas. Pode ser que algumas expressões religiosas que foram muito adequadas a determinada época histórica sejam extremamente inadequadas a outra ou outras. O único absoluto é Deus. O resto... é resto mesmo. Isso é que, hoje como ontem, o Cristianismo é chamado a proclamar diante do mundo.

Para reflexão: em que medida o movimento de inclusão dos tradicionalmente excluídos (inclusive em virtude de sua orientação sexual, mas não só eles) nos diferentes segmentos do cristianismo não poderia contribuir para a passagem humana de uma vivência agrilhoante da Lei para a libertação proclamada pela Boa Nova, a Lei do Amor?

Boa semana a todos!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A propósito do Pai Nosso (1)


Publicamos aqui, a partir de hoje e pelos próximos 4 domingos, a linda reflexão de Simone Weil sobre a oração do Pai Nosso. Para meditar, orar e, esperamos, aprofundar a fé. Um bom domingo a todos!

Pai-nosso que estais nos céus
Ele é nosso Pai, não há nada de real em nós que não proceda dele. Nós pertencemos a ele. Ele nos ama, posto que ama a si próprio e que pertencemos a ele. No entanto é o Pai que está nos céus. E não em outra parte. Se acreditássemos ter um Pai aqui em baixo, seria um falso Deus (um ídolo ou ideal ). Não podemos dar um único passo em direção a Deus. Pois não sabemos caminhar verticalmente. Não podemos dirigir a ele a não ser o nosso olhar. A questão, portanto não é sair em sua busca, mas apenas mudar a direção do olhar. É tarefa dele, vir atrás de nós. É preciso alegrar-se por saber que ele está infinitamente além de nosso alcance. Sabemos então que o mal em nós, mesmo se puder nele submergir todo o nosso ser, não poderá de maneira alguma manchar a pureza, a felicidade e a perfeição divinas.

Santificado seja o teu Nome
Somente Deus tem o poder de se nomear a si próprio. O seu nome é impronunciável para os lábios humanos. O nome dele é a Palavra. É o Verbo. (É o Logos). O nome dos seres em geral é uma ponte entre o espírito humano e aquele ser, o único caminho por onde o espírito humano pode captar alguma coisa daquele ser quando está ausente. Deus está ausente, está nos céus. Seu nome é para o homem a única possibilidade de ter acesso a ele. É o Mediador. (É Cristo, o Amor Misericordioso). O homem tem acesso ao nome, embora ele também seja transcendente. Este nome – é o Logos eterno que brilha na beleza e na ordem do mundo e na luz interior da alma humana. Este nome é santidade, ela própria, não há nenhuma santidade fora dele, não há nada nele a ser santificado. Quando imploramos a sua santificação, imploramos por aquilo que é eternamente com uma plenitude de realidade à qual não se pode acrescentar ou retirar nem uma ínfima parcela. Invocar aquilo que é, que é real, infalível, eternamente, de uma maneira independente de nossa vontade, esta é a perfeição da demanda. Não podemos impedir-nos de desejar, nós somos desejo; mas este desejo que nos aprisiona ao imaginário, ao tempo ao egoísmo, nós podemos, se o fizermos passar todo inteiro através desta demanda, fazer dele uma alavanca que nos arranca do imaginário para o real, do tempo para a eternidade e para fora de toda prisão do eu.

Venha a nós o vosso reino
Trata-se agora de algo que deve vir (advir), que ainda não está lá. O reino de Deus é o Espírito Santo, preenchendo completamente toda a alma das criaturas inteligentes. Para nós, só é possível invocá-lo. É preciso não deter o pensamento em um modo particular de invocá-lo. Que pensar nele seja um apelo e um grito. Da mesma maneira que quando estamos no limite da sede, quando estamos doentes de sede, não representamos mais o ato de beber referido a nós próprios, nem mesmo o ato de beber em geral. Representamos apenas a água, a água em si mesma, mas esta imagem da água é como um grito de todo o ser.

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Texto original:

WEIL, Simone. À propos du "Nôtre Père", In Attente de Dieu. Paris: Flamarion, 1996. Tradução de Elisa Cintra.

Tradução publicada originalmente no site da Comunidade Mundial de Meditação Cristã no Brasil

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Como o Messias


...cada um deve agir como se fosse o Messias. O Messianismo não é a certeza da vinda de um homem que detém a História. É meu poder de responsabilizar-me por todos.

- Emmanuel Levinas

Bom fim de semana para todos... :-)

Gays não devem discutir sobre a Bíblia? Ou sim?

Foto: Kenji Aoki

O post de ontem levantou nos seus comentários argumentos muito pertinentes quanto a envolver-nos ou não em discussões sobre as diferentes interpretações de trechos das Escrituras que costumam ser usados contra os gays  (como se o texto sagrado, sagrado justamente por ser portador da mensagem de amor de Deus por nós, pudesse ou devesse ser usado contra quem quer que seja. Triste, mas enfim).

O Rev. Marcio Retamero, por exemplo, observou que se interessa "mais pelas pessoas excluídas que ouvirão/lerão o debate do que com o fundamentalista arraigado nas suas fósseis opiniões". Um ponto crucial, sem dúvida, sobretudo para quem desenvolve um trabalho pastoral junto ao público gay.

O curioso é que cheguei ao artigo da Rev. Candace Chellew-Hodge justamente através de outro artigo, publicado no site da revista Religion Dispatches, em que Jay Michaelson, fundador do Nehirim (revista de cultura e espiritualidade judaicas LGBT) e doutorando em Pensamento Judaico na Hebrew University, e a própria Rev. Chellew-Hodge dialogam a respeito do tema.

Michaelson defende uma estratégia não de tentar "vencer" na discussão sobre os versículos mais comumente "usados contra" os gays, mas de apenas buscar o "empate"; isto é, adotando a mesma lógica de uma leitura literal do texto bíblico, mostrar que o significado das palavras no texto original não era exatamente o que costuma ser interpretado pelos "fundamentalistas" de hoje. Desse modo, ficaríamos diante de duas interpretações igualmente coerentes desses versículos - daí o empate. A vitória, argumenta ele, viria a partir do momento em que, para "desempatar", ou seja, para solucionar a ambiguidade e escolher uma das duas interpretações, seria preciso recorrer ao contexto mais amplo e à mensagem geral da Sagrada Escritura: o amor incondicional de Deus, sua infinita misericórdia e compaixão. Nesse caso, como optar pela leitura que defende que pessoas sejam penalizadas por um traço involuntário? "Assim", entende ele, "entre duas leituras igualmente válidas, aquela que mantém nossos valores fundamentais de amor, companheirismo, justiça, honestidade e dignidade humana vence."

Para ele, não há nada de errado em ser literalista. Pelo contrário: a seu ver, a partir do momento em que se admite que é possível fazer uma leitura literal distinta daquela dos fundamentalistas e tão em voga hoje em dia, "aí podemos conversar sobre o mais importante: como a graça de Deus opera nas vidas dos gays, como o amor entre gays é um caminho para a santidade, e dar nosso testemunho da verdade contida na experiência gay: a diversidade sexual existe. E podemos falar a partir da nossa própria experiência e testemunho".

A Rev. Chellew-Hodge responde que sua experiência pessoal, depois de muitos anos aproveitando toda oportunidade para engajar-se nesse tipo de discussão, é que o "empate" esperado por Michaelson é inatingível porque "quem desaprova a homossexualidade, por mais compaixão que possa sentir pelos gays (...), e aqueles que mais se apegam à certeza de sua interpretação das Escrituras não têm o menor interesse em admitir qualquer 'falta de clareza' nos versículos usados contra os gays. Não existe um ponto de partida comum a partir do qual construir tal redefinição".

"Discutir sobre as Escrituras (...)", diz ela, "só frustra os envolvidos no debate e continua a obscurecer a verdadeira questão de que a Bíblia nos convida a preferir a graça ao julgamento, a aceitação à rejeição e o amor ao ódio. Por isso deixei de discutir sobre as Escrituras" [grifo nosso].

E ela conclui:

"Isso não significa que eu não esteja aberta ao diálogo sobre a Bíblia (...). Se encontro alguém que esteja honestamente em busca do que as Escrituras podem ou não ter a dizer sobre a questão da homossexualidade, e se ambos estivermos dispostos a ser abertos e honestos quanto às nossas leituras do texto, se nos dispusermos a expor um ao outro nossas fragilidades na conversa, aí estou totalmente disposta a conversar. Contudo, recuso-me a discutir. Não vou jogar para ver quem ganha.

"Em suma, uma vez que estejam claras para você as questões da Bíblia e da homossexualidade, você nunca mais terá necessidade de discutir sobre esses versículos outra vez. Por quê? Porque você não precisa se justificar perante nenhum ser humano. Não é a aprovação de uma pessoa que você busca, mas a de Deus. Uma vez que você sinta que se entendeu com Ele, que sua orientação sexual é um dom de Deus a ser usado a serviço da Sua glória, todas as discussões perdem o sentido. Sua fé se torna inabalável, e nenhum inimigo a vencerá."

E você? O que você acha? :-)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Gays não devem discutir sobre a Bíblia?


O jornal americano The Huffington Post publicou recentemente em seu site um interessante artigo da Reverenda Candace Chellew-Hodge, fundadora e editora do Whosoever, uma revista online para cristãos GLBT. A propósito do nosso post recente sobre o filme Assim me diz a Bíblia, achamos oportuno traduzir alguns trechos:


Há vários motivos por que gays e lésbicas não deveriam discutir sobre a Bíblia. Em primeiro lugar, porque é inútil, e ninguém ganha nada com isso. As pessoas antigay valem-se das suas próprias referências e interpretações das escrituras, assim como os simpatizantes dos gays. Ninguém ganha uma discussão dessas porque ninguém vai acreditar nos estudiosos do outro lado, qualquer que sejam os argumentos utilizados.

Segundo, discutir sobre as escrituras apenas leva ao endurecimento das opiniões de um lado e de outro. Nenhum lado está disposto a ceder. Não se trata de um verdadeiro diálogo, mas de uma mera disputa para ver quem consegue sustentar o bate-boca mais tempo, e geralmente falando mais alto. Ninguém se deixa convencer, e os dois lados acabam mais irritados e agarrados às suas próprias ideias. Não ocorre nenhum esclarecimento, e muito pouca, ou nenhuma, compaixão.

Terceiro, os debatedores dos dois lados nunca começam do mesmo ponto de partida: os antigay tendem a ver a Bíblia como a infalível "Palavra de Deus", (...) diretamente inspirada por Ele e jamais passível de contestação. (Ainda que a Bíblia seja repleta de contradições, a maioria das quais ignoramos sem nenhum problema.[...])

Os defensores do lado gay tendem a ver a Biblia como inspirada por Deus, mas (...) mostram-se mais abertos a diferentes interpretações e abordagens da Escritura. Os que consideram a Bíblia a "palavra literal de Deus" conhecem apenas uma maneira de ler cada passagem, e em geral optam por aquela que justifica suas crenças atuais sobre Deus, homossexualidade ou qualquer outro tópico.

O motivo mais importante pelo qual os gays não deveriam nunca discutir sobre as Escrituras é que a Bíblia nada tem a dizer sobre homossexualidade. Precisamos lembrar que é um livro antigo, escrito nos tempos em que as pessoas acreditavam que o mundo era plano e a Terra situava-se no centro de um universo dividido em três planos, com o céu acima e o inferno abaixo; (...) que toda a reprodução humana estava contida no esperma e a mulher não passava de uma incubadora. As mulheres, aliás, eram tidas como gado - propriedade a ser transmitida do pai para o marido, deste para seu irmão e assim por diante. Tempos em que a escravidão era entendida como tendo sido ordenada por Deus e os pecados eram lavados mediante o sacrifício de animais.

Em suma, não podemos extrair ideias modernas de um livro antigo. Os autores da Bíblia não sabiam sobre  homossexualidade mais do que sabiam sobre uma Terra esférica girando ao redor do sol.  No máximo fizeram comentários sobre comportamentos sexuais homoeróticos em situações de luxúria e abuso, mas nada disseram - nem a favor, nem contra - o moderno conceito de orientação sexual. Se não aceitamos o que a Bíblia diz sobre a Terra ser plana e as mulheres serem meras incubadoras (...), por que tomá-la por uma autoridade em orientação sexual?

A Bíblia é um livro sagrado porque descreve a jornada humana junto a Deus, e não o contrário. Se acompanha a nossa jornada junto a Deus, deve acompanhar a evolução do nosso entendimento acerca da atuação do Sagrado neste mundo. A humanidade deixou de ver Deus como um juiz e legislador severo e aprendeu a ver Deus como pleno de graça, misericórdia e amor.

Não vamos entender Deus escrutinando detalhes do livro e proclamando-os uma verdade eterna. Pelo contrário, a Bíblia nos põe em contato com Deus quando reconhecemos sua mensagem geral, que pode ser sintetizada por 1 João 4:7-8: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor".

Gays não deveriam jamais discutir sobre as Escrituras não só porque estas não condenam a homossexualidade, mas também porque esse tipo de debate não produz nada além de discórdia, dissensão e ódio, e tudo aquilo que não produz amor não vem de Deus. Em vez de discutir, amemo-nos uns aos outros, mesmo àqueles de quem discordamos. Essa é a mensagem de Deus para nós. Nada mais importa.

O que você acha? Deixe sua opinião nos nossos comentários e ajude-nos a enriquecer o debate. :-)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A militância de Jesus de Nazaré, o Cristo de todos


“Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão.
Se fecharem uns poucos caminhos, mil trilhas nascerão...
Muito tempo não dura a verdade, nestas margens estreitas demais,
Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais!
É Jesus, este pão da igualdade, viemos pra comungar,
com a luta do povo que quer ter voz, ter vez, lugar!
Comungar é tornar-se um perigo, viemos pra incomodar!
Com a fé e a união nossos passos, um dia, vão chegar!”
("Se calarem a voz dos profetas", Antonio Cardoso)

Uma porta aberta para a acolhida e a aceitação da diversidade da criação

De modo freqüente estamos nos deparando com um dilema: nossa ação se reduziria à militância ou à não militância? Abaixo a militância? Viva a militância? Seria aqui o espaço de mais uma militância? Mas seria possível abrir mão aqui, no nosso espaço, de alguns aspectos presentes naquilo que entendemos por militância? O que é militar? Atuar em prol de algo que se crê provavelmente com a disciplina ou, pelo menos, com a atitude espartana, o protótipo de uma militia. Mas os espartanos já vão longe e, em nome do “sejamos criativos”, deixemos o cimento disciplinar e belicoso que aglomerava as milícias espartanas.

Recordemos a atitude de um outro militante, ousamos assim chamá-lo, pois apaixonadamente defendeu até o fim o que e em quem acreditava: Jesus de Nazaré. Propomos, pois, a reflexão sobre o sentido da militância de Jesus: a vida plena e digna para todos, não importando se homem ou mulher, se de Jerusalém ou da Samaria, se judeu ou gentio. Propomos, ademais, a discussão acerca do sentido da militância, tendo como modelo o que encontramos nas ações de Jesus.

Particularmente, cremos no Jesus militante, não à maneira zelota, mas aquele que foi assassinado pelas autoridades religiosas, com a complacência das autoridades políticas, por defender vigorosamente um sentido diferente do encontrado no discurso oficial religioso. Não precisamos reunir aqui passagens que refresquem a memória de vocês, pois todos nós temos, ao menos, uma ou duas, “de cabeça”, na ponta da língua. As atitudes de Cristo nos recordam a possibilidade humana – tão-somente humana – de defender, em nome de uma inclusão na sociedade, os que estão nas bordas por diversos motivos; afinal, nós, humanos, somos pródigos em inventar os motivos! No nosso caso, aqueles que, para muitos, não merecem nem o nome de “filho de Deus”, ou quando muito, a tolerância da inclinação homoerótica e seu complemento necessário, a condenação da ação. Aqueles que são nomeados, equivocadamente ou não, homossexuais e por assim serem, estão excluídos desde a comunhão, passando pelo rol mínimo de direitos constitucionais e chegando até mesmo ao direito à vida.

Reunamos essa perigosa e desconfortável marginalidade social ao tema da militância de Jesus de Nazaré: pensemos nessa relação e no convite que ela nos propõe. A sedução de Iahweh é o que nos move, como impeliu o profeta há mais de dois milênios. A sedução não de mais um “partido”, ou “grupo” ou “milícia”, mas a sedução de uma mensagem que tem atravessado séculos e ainda continua fresca: a possibilidade da aceitação do outro na sua integridade, na sua diferença, na sua semelhança com a divindade e com as demais criaturas.

Nossa tarefa é mostrar o quão seduzidos estamos pela mensagem do cristianismo como porta aberta para os que crêem na mensagem inclusiva de um Deus que atravessa os desertos e os mares, soprando onde deseja, sobre todos, cuja máxima é o amor ao próximo como a si mesmo, tendo como horizonte o amor de Deus por suas criaturas. Um amor tão radical que não se apequena diante de bordões como “amo o pecador, mas detesto o pecado”, até porque o amor não pode ser fonte de pecado.

Nossa tarefa é atuar na recordação dessa memória do cristianismo, inclusivo e ‘includente’, em que pese toda a força do discurso religioso oficial. Afinal, a Igreja é o “povo de Deus”, como afirmou o Concílio Vaticano II. E para esse povo Deus, desde que se apresentou a Abraão, tem mostrado que a vida digna e plena para todos é o seu grande objetivo, o qual somente poderá ser atingido mediante a ação das pessoas, porque cada um de nós somos as mãos e os pés divinos.

Retomando o viés histórico da noção de homossexualidade, propomos a discussão sobre a extensão do homoerotismo ou da orientação homossexual ou da inclinação homossexual na vida de cada um daqueles que se encontra nessa situação. Essa reflexão evidencia que a dimensão homoerótica é fundamental para fazer com que cada um seja o que é, contudo ela não esgota aquilo que somos, tal como o heteroerotismo também não.

Afora trejeitos, modos de vestir, gostos, algo identifica uma parcela da população humana: a orientação ou inclinação homoerótica/homoafetiva ou, conforme uma parte considerável do senso comum, “a pouca vergonha na cara” que faz com que mulheres busquem mulheres e homens busquem homens para repartir os momentos da vida, prazerosos e não prazerosos. Isto que os identifica tem sido motivo da vida à margem. De acordo com cada situação histórica, uma perigosa marginalidade.

Isso que os identifica, a partir do século XIX, recebeu uma denominação: homossexualidade, inicialmente situada como uma doença e que, no século XX, foi tirada da relação de enfermidades. Um nome e um rótulo identitário que não esgotam aquilo que as pessoas são. Todavia, ao mesmo tempo, o nome nomeia algo que as identifica e marginaliza. Todo conceito não dá conta das existências plenas dos entes que conceitua, mas, por outro lado, não deixa de fazê-los ser entendidos. No fio da navalha dessa ambivalência, a homossexualidade é um nome que não deve ser rótulo, mas que deve merecer ser apresentado em sua construção histórica, que, como qualquer situação humana, implica limites e usos limitados. Nesse sentido, a experiência homoerótica recebeu o nome de homossexualidade sendo, a partir de então, reconhecida como prática homossexual.

A grande maioria reconhece, equivocada e limitadamente ou não, os homens e mulheres homoeróticos, que constroem relações homoafetivas, como homossexuais. Cremos não ser possível ainda não utilizar essa nomeação. Entretanto, faz-se necessário mostrar o quanto ela é pouca, o quanto ela é limitada e limitadora para dizer o que as pessoas vivem.

No âmbito do olhar que lançamos aos indivíduos que vivem essa experiência, tal nomeação não deve ser rótulo que fixa de modo determinista (essencialista) algo como uma individualidade homoerótica que, a partir de então, somente poderia existir enquanto indivíduo homossexual: nesse caso, por exemplo, um homem homossexual antes de ser homem é visto pela sua adjetivação homossexual e passa a ser considerado como um homossexual homem. O que aconteceu aí foi a redução dessa pessoa a um elemento – um importante elemento, diga-se de passagem – de sua constituição. De fato, esse nome designa, quando muito, apenas um modo identitário de ser e que recorrentemente é utilizado pelos mecanismos e instrumentos discriminatórios para excluir, para tratar de modo intolerante, para restringir, para romper o princípio jurídico de igualdade entre as pessoas e, ainda, a mesma filiação divina. Especialmente quando essa compreensão é incorporada por aqueles que, de alguma maneira, o nome pode nomear, com alguma freqüência vemos ocorrer a assimilação absoluta do padrão identitário sexual e ainda dos estereótipos e a vivência cotidiana a partir deles, dada a dificuldade de descolar o padrão e os estereótipos e encontrar outros modos de ser e viver: no plano individual a identidade homossexual é afirmada e vivida como se não fosse possível a convivência com outras (ser pai, ser mãe, ser católico, ser atleticana, ser negro, por exemplo). Quando esse entendimento é absorvido pelos outros que o nome não nomeia, freqüentemente também vemos ocorrer, mediante a assimilação absoluta do padrão identitário sexual e dos estereótipos, a redução das diferentes possibilidades de ser e viver daquele/a que vive o amor homoerótico apenas à dimensão identitária homossexual: as pessoas são vistas e discriminadas por sua identidade sexual que pretensamente determina o que elas são.

No horizonte cristão esses eventos também ocorrem e põem a perder a mensagem inclusiva de Jesus de Nazaré como o Cristo de todos, que tem mantido seus braços abertos para todos. Como fonte inesgotável do amor, que faz novas todas as coisas, tem renovado em nós a esperança da mensagem inclusiva cristianismo. Movido pelo Espírito que sopra onde quer, Ele nos leva pela estrada do acolhimento da diversidade presente na criação, fazendo de nós sementes e semeadores do Reino de Deus.

Valéria Wilke
Departamento de Filosofia e Ciências Sociais - UNIRIO

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Publicado originalmente no site do Diversidade Católica.

Ventos, tempestades, raios e ressacas não perturbem a minha embarcação


Hoje é dia de Nossa Senhora dos Navegantes, protetora dos que enfrentam as tempestades da vida... :-) Reproduzimos a seguir as oportunas informações e a oração inspiradora publicadas por Gilda Carvalho no site Amai-vos.


A devoção à Nossa Senhora dos Navegantes teve início na Idade Média, sendo praticada sobretudo pelos cruzados que, ao partir para a Palestina, através do mar Mediterrâneo, invocavam a proteção de Maria, a Estrela do Mar.

Depois, já na época dos Descobrimentos, essa tradição foi mantida pelos navegadores portugueses e espanhóis, quando, então, disseminou-se entre os pescadores das novas terras, onde começaram a surgir santuários nas regiões pesqueiras.

Oração à Nossa Senhora dos Navegantes
Ó Nossa Senhora dos Navegantes, Santíssima Filha de Deus, criador do céu, da terra, dos rios, lagos e mares; protegei-me em todas as minhas viagens.


Que ventos, tempestades, borrascas, raios e ressacas não perturbem a minha embarcação e que nenhuma criatura nem incidentes imprevistos causem alteração e atraso em minha viagem ou me desviem da rota traçada.

Virgem Maria, Senhora dos Navegantes, minha vida é a travessia de um mar furioso. As tentações, os fracassos e as desilusões são ondas impetuosas que ameaçam afundar minha frágil embarcação no abismo do desânimo e do desespero.

Nossa Senhora dos Navegantes, nas horas de perigo eu penso em vós e o medo desaparece; o ânimo e a disposição de lutar e de vencer torna a me fortalecer. Com a vossa proteção e a bênção de vosso Filho, a embarcação da minha vida há de ancorar segura e tranqüila no porto da eternidade. Nossa Senhora dos Navegantes, rogai por nós. 

Amém.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Por uma Igreja simples de coração e "pobre de espírito"


A propósito do Evangelho do último domingo (4º Domingo do Tempo Comum, Mt 5, 1-12), o teólogo basco Jose Antonio Pagola tece algumas considerações sobre a necessidade de uma Igreja de espírito mais evangélico, que viva, como comunidade, as bem-aventuranças. Artigo publicado originalmente no Eclesalia, e reproduzido via Amai-vos.


Ao formular as bem-aventuranças, Mateus, ao contrário de Lucas, está preocupado em desenhar os traços que caracterizam aos seguidores de Jesus. Daí a importância que têm para nós, nestes tempos em que a Igreja tem que encontrar o seu estilo cristão de estar no meio de uma sociedade secularizada.

Não é possível propor a Boa Nova de Jesus de uma forma qualquer. O Evangelho só se espalha a partir de atitudes evangélicas. As bem-aventuranças nos mostram o espírito que deve inspirar a ação da Igreja, enquanto peregrina para o Pai. Nós temos que ouvi-las em uma atitude de conversão pessoal e comunitária. Só dessa forma temos que caminhar para o futuro.

Bendita a Igreja "pobre de espírito" e de coração simples, que atua sem prepotência nem arrogância, sem riquezas nem esplendor, sustentada pela humilde autoridade de Jesus. Dela é o reino de Deus.

Bendita a Igreja que "chora" com aqueles que choram e sofre ao ser privada de privilégios e poder, pois poderá compartilhar melhor o destino dos vencidos e também o destino de Jesus. Um dia ela será consolada por Deus.

Bendita a Igreja que renuncia a se impor pela força, a coerção ou a submissão, sempre a praticar a mansidão do seu Mestre e Senhor. Um dia ela herdará a terra prometida.

Bendita a Igreja que tem "fome e sede de justiça" dentro de si e no mundo todo, pois procurará a sua própria conversão e trabalhará por uma vida mais justa e digna para todos, a começar pelos últimos. Seu anseio será farto por Deus.

Bendita a Igreja compassiva que renuncia ao rigorismo e prefere a misericórdia antes que os sacrifícios, pois acolherá aos pecadores e não lhes esconderá a Boa Nova de Jesus. Ela alcançará de Deus misericórdia.

Bendita a Igreja de "coração limpo" e conduta transparente, que não encobre os seus pecados nem promove o secreto ou a ambigüidade, pois caminhará na verdade de Jesus. Um dia Ela verá Deus.

Bendita a Igreja que "trabalha pela paz" e luta contra as guerras, que une os corações e semeia a concórdia, pois vai contagiar a paz de Jesus que o mundo não pode dar. Ela será filha de Deus.

Bendita a Igreja que sofre hostilidade e perseguição por causa da justiça, e não evita o martírio, pois saberá chorar com as vítimas e conhecerá a cruz de Jesus. Dela é o reino de Deus.

A sociedade de hoje precisa conhecer comunidades cristãs marcadas por este espírito das bem-aventuranças. Apenas uma Igreja evangélica tem autoridade e credibilidade para mostrar o rosto de Jesus aos homens e mulheres de hoje.
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Eclesalia Informativo autoriza e recomenda a divulgação dos seus artigos, desde que indicada a sua procedência.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Estado de graça


Barbara Hendricks (soprano) e Roland Pöntinen (piano) na gravação da Ave Maria (Ellens Gesang III) de Franz Schubert. Estocolmo, novembro de 2007.

Dica do Hugo. Obrigada, amigo. :-)

Prece



Clarice Lispector, sempre visceral:

Alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma, pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém.

- Clarice Lispector

Celebremos o mistério. Boa semana a todos. :-)

domingo, 30 de janeiro de 2011

Lugar sagrado



Você conhece o Sacred Space ("Lugar Sagrado")? É um site inspirado no método de oração de Santo Inácio de Loyola que convida a reservar alguns minutos à oração diária. Para isso, a cada dia o site propõe uma reflexão a partir de um determinado texto das Escrituras e vai orientando  passo-a-passo o leitor nas etapas da oração. 

O site tem versão para o português - de Portugal, o que faz com que a linguagem possa talvez causar algum estranhamento no visitante brasileiro, mas nada que chegue a atrapalhar o processo. :-)

Vale o clique. :-)

sábado, 29 de janeiro de 2011

Tudo se transforma



Cada uno da lo que recibe
Luego recibe lo que da
Nada es más simple
No hay otra norma
Nada se pierde
Todo se transforma

- Jorge Drexler

Um fim de semana transformador, para todos... :-)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Uma xícara


Foto: Kari Herer

A medida do amor é não ter medida.
- Sto. Agostinho

Um fim de semana pleno de amor, sem medidas!,  para todos. :-)

Baseado no Don't Touch (...).

Quem tem medo dos gays?


Prezadas famílias de comercial de margarina, células fundamentais da nossa sociedade, núcleos familiares formados por um pai provedor-bonachão-de-bigodes, mãe-de-avental-fazendo-bolinhos-de-chuva-no-Domingo-de-tarde e crianças-loiras-e-sapecas-comendo-seus-sucrilhos-no-café-da-manhã: Nós os gays, também chamados de bichas, viados, boyolas existimos!

Talvez vocês não tenham reparado, mas aquele tio solteirão, o primo que raramente comparece às festas de família e sempre que vai, leva um amigo, sãos gays. Desculpem-me avisá-los assim, mas há entre nós senhores de respeitável aparência e família solidamente formada e mulheres eternamente insatisfeitas com os maridos que, uma única vez, numa Quinta à noite tocaram suas amigas por sobre a blusa. Isto e pegações em lugares escuros, encontros fortuitos e uma psique destroçada era todo o possível para nós, as bichas, até algumas décadas atrás.

Felizmente hoje, nós temos maior visibilidade e aceitação social. A sensação que se tem de que a “ameaça gay” está se alastrando é só isso: uma impressão. O que acontece é que homens e mulheres gays deixaram de constituir famílias heterossexuais que seriam infelizes e não precisam se esconder tanto, ainda que não seja fácil assumir-se em muitas instâncias sociais. Mas fiquem tranqüilos: estatisticamente não estamos nos multiplicando.

O pânico que despertamos nos setores conservadores da sociedade supõe que a humanidade inteira é composta por bissexuais e que se estes descobrirem o terrível e fascinante segredo de que o sexo entre os que tem o mesmo sexo é muito mais prazeroso, a espécie humana estará terminada. Apesar de concordar com vocês que o sexo com outro homem é bem mais interessante do que com mulheres, minhas amigas lésbicas aqui discordarão, devo lhes dizer que há homens que gostam de mulher de verdade. É sério! Gostam de beijar-lhes, ternamente, o seio, passar a língua no bico intumescido e descobrir-lhes o quente e úmido do entre as pernas enquanto aspiram ao perfume que, em ondas, emana de seus cabelos É estranho, mas é verdade, existem homens que gostam de mulheres e vice-versa. Ou seja, o pânico de que, se reconhecerem nosso modo de amar como legítimo, a humanidade findará é só uma imensa bobagem.

Outra novidade: crianças criadas por casais gays não se tornam necessariamente homossexuais. A imensa maioria dos gays que conheço e eu próprio fomos criados em lares heterossexuais, numa escola heteronormativa, numa sociedade heterosexista e somos viados. Ou seja, há algo muito forte e real na forma como cada ser humano ama e deseja, capaz de contradizer as instâncias mais fundamentais da vida social. Seu filho, sua linda filha de maria-chiquinha e vestido florido não vão “virar” gay por ver um casal de homens com seu filho na capa de uma revista, nem duas mulheres se acarinhando românticas à luz do dia, pelo contrário, talvez isto os ajude a se tornar seres humanos melhores: mais plurais, humanamente fraternos e capazes de reconhecer o brilho da vida em toda a parte em que ele refulge.

Pra dizer a verdade, os gays não são uma ameaça à família ou a humanidade em geral. O que corrói estas sagradas instâncias é a falta de amor, de interesse no outro, de diálogo e partilha e estes males não tem gênero, nem orientação sexual definida. Lamento informá-los, mas nós não somos os monstros que se pensa, procure-os dentro de vocês. Eu sei dos meus e mantenho-os vigiados, sem deixar que se projetem no outro só porque esse é diferente de mim.

Carta aos pais de homossexuais


Em 3 de agosto de 2007, o Pe. Luís Corrêa Lima, S.J. enviou a carta abaixo aos membros do Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), de que já falamos aqui num outro post.

Prezados pais,

Os seus filhos são um presente de Deus criador a vocês e à humanidade, assim como a vida de todo ser humano. E vocês são para eles um instrumento da Providência divina para tenham vida, afeto, educação e valores.

Nós chamamos a Deus de ‘Pai’, conforme a nossa tradição judaico-cristã. Usamos a nossa linguagem e experiência humanas para nos dirigirmos a alguém que ultrapassa os limites do mundo e da nossa vivência. Também reconhecemos nele os traços da ternura materna. A experiência do amor incondicional, que os pais proporcionam, é fundamental para o despertar da fé e para uma sadia relação com Deus.

Ter filhos homossexuais lhes remete à complexa realidade da diversidade sexual. Ao longo da história e em diferentes culturas, esta questão foi tratada de vários modos.

A nossa tradição de séculos longínquos e recentes já considerou a relação entre pessoas do mesmo sexo uma abominação e uma séria doença, impondo um pesado fardo a gays e lésbicas. No entanto, há mudanças que não podem ser negligenciadas, como a evolução dos direitos humanos, a superação da leitura da Bíblia ao pé da letra e, nos anos 1990, a supressão da homossexualidade da lista de doenças da Organização Mundial de Saúde. Trata-se de uma condição, e não de opção, que alguns carregam por toda a vida.

A sociedade e as famílias estão por aprender uma nova maneira de lidar com a homoafetividade; a Igreja Católica, que é parte da sociedade, também. Ao se falar da Igreja, freqüentemente se pensa em proibições e condenações. Este não é um ponto de partida adequado.
A Igreja ensina que ninguém é um mero homo ou heterossexual, mas antes de tudo um ser humano, criatura de Deus e, pela graça divina, filho Seu e destinado à vida eterna. E acrescenta que os homossexuais devem ser tratados com respeito e delicadeza. Deve-se evitar para com eles toda forma de discriminação injusta.


No nível local, há mudanças importantes acontecendo na Igreja. Em 1997, os bispos católicos norte-americanos escreveram uma bela carta pastoral aos pais dos homossexuais. O título é: Always our children (Sempre Nossos Filhos). Segundo eles, Deus não ama menos uma pessoa por ela ser gay ou lésbica. A Aids não é castigo divino. Deus é muito mais poderoso, mais compassivo e, se for preciso, mais capaz de perdoar do que qualquer pessoa neste mundo. Os bispos exortam os pais a amarem a si mesmos e a não se culparem pela orientação sexual dos filhos, nem por suas escolhas. Os pais de homossexuais não são obrigados a encaminhar seus filhos a terapias de reversão para torná-los heteros. Os pais são encorajados, sim, a lhes demonstrar amor incondicional. E dependendo da situação dos filhos, observam os bispos, o apoio da família é ainda mais necessário.

Prezados pais, os seus filhos serão sempre seus filhos. Vocês não fracassaram e nem erraram por causa da orientação sexual deles. O estigma de infâmia e de doença ligado à homossexualidade precisa ser vencido. A aceitação da condição de seus filhos torna a vida de ambos muito melhor e mais feliz. Esta tarefa não é fácil, mas também não é impossível. A prova disso é o depoimento de tantos pais que já conseguiram, ainda que tenham levado alguns anos.

A confiança no bom Deus, fonte de todo o bem e do amor incondicional, há de tornar este caminho mais suave e exitoso.

Cordialmente,

Pe. Luís Corrêa Lima, S.J.

Texto publicado originalmente no site do Diversidade Católica.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

...E por falar em "It Gets Better"


E por falar em defesa da igualdade e na campanha "It Gets Better", que tanto deu o que falar alguns meses atrás por conta da participação de um vídeo da Pixar, o Tony, do blog Tony Goes, comentou há alguns dias que a versão brasileira da campanha está quase pronta para sair do forno - embora nos comentários do post a informação tenha sido atualizada: o vídeo ainda levará pouco mais de um mês para ser finalizado.

Tudo começou no final de novembro, quando a agência digital Grïngo decidiu criar uma adaptação verde-e-amarela do projeto americano. Como disse o próprio Tony na época, divulgando a ideia e convocando voluntários a participar do vídeo,

"Não se trata de uma simples tradução: afinal, os casos de suicídio de gays adolescentes provocados por bullying ainda são raros por aqui, ou pelo menos abafados. Mas é importante que essa garotada espalhada Brasil afora, muitas vezes isolada em rincões do interior, saiba que não tem nada de errado com ela. Que ser homossexual é mais do que normal - é absolutamente fabuloso. (...) A imensa maioria dos brasileiros ainda acha que bichas, lésbicas e trans são seres de outro planeta, ou que estamos condenados a uma vida de sofrimento e a uma eternidade no inferno. É só mostrando a cara (e, muitas vezes, dando-a a tapa) que vamos conseguir melhorar alguma coisa. Quem se candidata?"

No convite aberto feito pela agência em seu blog, o objetivo expresso é mostrar que ser gay é normal - “normal” é ser você mesmo, ter idéias, saber onde você se encontra na sua vida, ter consciência do que passou e ter uma relação com a vida que é otimista, entusiasmada, feliz ou triste, mas real - e que quem está se descobrindo gay saiba que não está sozinho, que tem alguém que já passou pela mesma coisa e que venceu.

Que você, adolescente assustado com o que pode vir a acontecer, veja que nada de terrível realmente acontece. Que sua vida continua, que tudo na verdade melhora. Que você vai arranjar um emprego, namorar, amar, sofrer, ser acolhido num ambiente que te ama, e ter uma vida NORMAL. Que gays são iguais a todos, são ricos, pobres, feios, bonitos, têm empregos chatos, incríveis, rodam o mundo, rodam o bairro.

A proposta é digna de todo o aplauso e da mais ampla divulgação - que é exatamente o objetivo dos caras: criar outro vídeo viral. Estamos atentos para postar o vídeo aqui no blog assim que for publicado, e contribuir para concretizar essa meta.  ;-)

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Atualização às 12h04:
Como muito bem lembrou o Rodolfo nos comentários, entre as diversas iniciativas que podem ser encontradas na web de pessoas comuns "simplesmente falando da normalidade e da diversidade do 'ser gay'", a que segue abaixo, bastante bem feita e bem-humorada, é digna de nota. Espero que gostem. :-)


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Atualização em 23/04/11:
...E finalmente sairá a versão brasileira! Você encontra o trailer e uma entrevista com o diretor aqui.
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...e obrigada ao queridíssimo Rafa pela dica. ;-)

"You = Me": Ricky Martin e a defesa da igualdade


Primeiro foi seu novo clipe, The Best Thing About Me Is You, em que aparece com o símbolo da Human Rights Campaign - projeto americano que defende a igualdade de direitos para o público gay, célebre por ter "ressuscitado" a música True Colors - tatuado no peito. Agora, Ricky Martin voltou a chamar a atenção por aqui graças à sua entrevista para a Revista Veja desta semana. Nela, o cantor falou muito abertamente sobre o reconhecimento de sua homossexualidade, a decisão de se assumir publicamente, o medo de perder os fãs e a relação com os filhos, segundo ele os grandes motivadores de sua saída do armário. Confira a seguir alguns trechos da entrevista:

A decisão de sair do armário
Eu não aguentava mais me esconder e fingir ser quem não era. Sou uma boa pessoa e tento fazer o bem ao próximo, mas algo me faltava. O que virou a mesa foi a paternidade. Um dia, olhei nos olhos dos meus filhos e pensei: "Se quero que eles sejam felizes, eu tenho de viver com transparência". Nesse mesmo dia, coloquei no meu site uma carta revelando que sou gay. Se não fizesse isso, poderia dizer quem sou na minha casa? Ou será que eu iria mandar meus filhos mentir a meu respeito na escola? Nada disso. Quero mais é que eles falem aos seus amigos: "Meu pai é gay e ele é muito legal - Seu pai não é gay. Triste o seu caso". Quero que eles sintam orgulho em fazer parte de uma família moderna.

O medo de perder a popularidade
Essas questões passaram, sim, pela minha cabeça. Será que o público vai me largar, por preconceito? Será que os fãs não vão se sentir enganados pelo tempo em que deixei que acreditassem que eu era heterossexual? Mas o fato é que eu precisava ser feliz. Precisava me sentir completo, com o coração cheio. E as pessoas estão respondendo muito positivamente. Já ouvi gente dizendo que não vai mais ouvir minha música. Mas vejo muito mais gente falando "hoje eu amo o Ricky Martin". Durante anos senti medo, mas ele existia apenas na minha cabeça.

O segredo quanto à sua orientação sexual
Era horrível. Eu vivia em um mundo glamouroso, com muitas viagens, suítes de hotel de luxo e jatinhos particulares. No palco, sentia-me forte. Mas, quando o show terminava, corria para casa para me isolar e me desligar de tudo. A maioria das pessoas não imagina que é possível estar com milhares de pessoas e ainda assim se sentir só. Eu sabia que havia algo errado comigo por dentro, mas tinha esperança de que uma hora essa sensação desaparecesse. Não desapareceu. Quando acabou a loucura de Livin' la Vida Loca, eu sentia apenas cansaço e tristeza. Não tinha vontade para nada.

A certeza de ser gay
Acho que a pessoa sempre sabe. Existe uma coisa que se chama atração, algo diferente que você sente, desde pequenino mas não sabe como definir. São coisas que os adultos reprimem. Dizem "isso não é certo, isso é errado". Quando você é garotinho e seus pais o levam ao parque, alguém logo diz: "Olha que bonita aquela garota! Que graça! Você gostou dela?". Somos levados a sentir atração pelo sexo oposto, e isso provoca uma confusão enorme quando se sente algo diferente. A pressão é toda para sermos como os outros: é mais fácil. Hoje sinto que os outros é que são diferentes, não eu.

A declaração, em seu site, de que "a homossexualidade é um dom"
Falei isso pela necessidade de viver com dignidade, respeito e autoestima. Queria que o mundo entendesse que amar do jeito que eu amo não é revolucionário, é natural. Não quero agredir ninguém por amar como amo. Minha natureza me faz assim. (...) Todo gay nasce gay. A vida social às vezes se opõe a essa natureza, e aí começa o conflito.

(...) Lembro quando falei para meus pais sobre minha sexualidade, há muitos anos. Eles me abraçaram e disseram: "Nós só queremos que você seja feliz". Minha mãe chorou. Depois eu disse: "Isso não é uma preferência, não foi uma decisão que tomei. Nasci assim". Não pense que ontem fui de um jeito e agora decidi ser isso. Um dia desses, li a história de uma mãe que tem 2 filhos: um é gay e o outro é um criminoso que matou 3 pessoas. Essa mãe vai visitar na cadeia o criminoso todos os domingos, porque ama seu filho e não se importa que ele seja um assassino. Com o outro filho, que é gay, ela não quer nem falar. É loucura! (...) Esse tipo de discriminação e de ignorância acontece no mundo todo.


Auto-aceitação
A pessoa tem de passar por um processo espiritual para que possa se aceitar. Quando não está pronta, não adianta, ninguém pode forçar. Por isso, tem gente que sai do armário aos 18, outros aos 30 e outros ainda que morrem sem assumir a homossexualidade.

A relação com os filhos
Todo mundo muda depois dos filhos. Tudo é diferente agora. Todas as decisões têm a ver com eles. O jeito como dirijo meu carro é diferente. Sou muito mais precavido. Antes, era mais louco. Agora penso: "Tenho dois filhos para criar". Antes eu ia dormir às cinco da manhã. Hoje, acordo às 7 e meia (...).

A barriga de aluguel e a ausência da figura materna
Direi que queria muito tê-los e que, com a ajuda de Deus, tudo se alinhou para que eles fizessem parte da minha vida. Mostrarei fotos da mãe, mas não quero contato deles com ela. Fizemos um acordo similar ao que rege os processos de adoção, para proteger a privacidade da mãe. Para mim, o fundamental é eles entenderem que nem todas as famílias são iguais. Elas são diferentes. Algumas famílias são formadas por uma mãe e 5 filhos, outras têm duas mães e dois filhos: e há também as que consistem em duas pessoas que se amam mas não têm filhos. Nossa família é formada por eles e por mim.

E você? O que achou dos pontos de vista defendidos pelo cantor? Compartilhe sua opinião conosco. Comente, divulgue, participe! :-)

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Atualização em 03/02/11:

Em entrevista concedida ao Fantástico, da Rede Globo, em 30/01/11, Ricky Martin expôs, com muita tranquilidade, seus pontos de vista sobre carreira, sair do armário, paternidade e a relação com os filhos. Acrescentamos o vídeo abaixo. :-)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Curso "Diversidade Sexual, Cidadania e Fé Cristã", no Centro Loyola (PUC-Rio)


Já estão abertas as inscrições para o curso Diversidade Sexual, Cidadania e Fé Cristã, no Centro Loyola de Fé e Cultura (PUC-Rio) de 7 de abril a 9 de junho - todas as quintas-feiras, em Botafogo.

A proposta é abordar a questão da diversidade sexual e sua visibilidade no mundo contemporâneo, com as respectivas implicações para os indivíduos, as famílias, a sociedade, a educação e as igrejas. Além disso, o objetivo é de buscar as perspectivas de compreensão e ação, bem como o diálogo da tradição religiosa cristã com as ciências e os agentes sociais em vista da construção da cidadania.

Professores:

  • Pe. Luis Corrêa Lima, SJ (líder do Grupo de Pesquisa Diversidade Sexual, Cidadania e Religião da PUC-Rio)
  • Ana Maria Bontempo (Assistente Social e vice-presidente da BENFAM)
  • Maria Cristina S. Furtado (Psicóloga e Mestre em Teologia / PUC-Rio)


Local: Residência João XXIII (R. Bambina, 115 - Botafogo)
Data: Todas as quintas-feiras, de 07 de abril a 09 de junho de 2011
Horário: 19h às 21h
Investimento mensal: R$ 75,00

As inscrições devem ser realizadas previamente pelo telefone (21) 3527-2010, pelo e-mail scursosloyola@puc-rio.br ou pelo site do Centro Loyola. Atenção: a inscrição só será considerada após o pagamento do boleto bancário, que será enviado por e-mail ao participante.

Serão conferidos certificados ao final do curso.

Os cristãos e o seguimento de Cristo


A propósito do Evangelho do último domingo (3º Domingo do Tempo Comum, Mt 4, 12-23), o teólogo basco Jose Antonio Pagola tece algumas considerações sobre o que significa ser cristão e seguir Cristo.
Artigo publicado originalmente no Eclesalia, e reproduzido via Amai-vos.


Quando Jesus soube que o Batista tinha sido preso, abandonou a sua aldeia de Nazaré e foi para as margens do lago da Galiléia iniciar a sua missão. A sua primeira afirmação não tem nada espetacular. Não realiza um milagre. Simplesmente chama alguns pescadores que respondem imediatamente à sua voz: "Sigam-me."

Assim começa o movimento de seguidores de Jesus. Aqui está o germe humilde do que um dia será a sua Igreja. Aqui é manifestada pela primeira vez a relação que deve se manter sempre viva entre Jesus e aqueles que acreditam nele. O cristianismo é, acima de tudo, o seguimento de Jesus Cristo.

Isto significa que a fé cristã não é apenas a adesão doutrinária, mas a conduta e a vida marcada pela nossa vinculação com Jesus. Acreditar em Jesus Cristo é viver o seu estilo de vida, animados pelo seu Espírito, colaborando em seu projeto do Reino de Deus e carregando a sua cruz para compartilhar a sua ressurreição.

A nossa tentação é sempre querer ser cristãos sem seguir Jesus, reduzindo a nossa fé a uma afirmação dogmática ou a um culto a Jesus como Senhor e Filho de Deus. No entanto, o critério para verificar se cremos em Jesus como o Filho encarnado de Deus é só verificar se o seguimos.

A adesão a Jesus não é apenas admirá-lo como homem ou adorá-lo como Deus. Quem o admira ou o adora, ficando pessoalmente fora, sem descobrir Nele a exigência para lhe seguir de perto, não vive a fé cristã de maneira integral. Somente aquele que segue Jesus se coloca na verdadeira perspectiva para compreender e viver autenticamente a experiência cristã.

No cristianismo hoje vivemos em uma situação paradoxal. Pertencem à Igreja não apenas aqueles que seguem ou tentam seguir Jesus, mas também aqueles que não se preocupam em absoluto de caminhar trás os seus passos. Basta ser batizado e não quebrar a comunhão com a instituição para pertencer oficialmente à Igreja de Jesus, mesmo sem jamais ter se proposto o seu seguimento.

A primeira coisa que devemos escutar de Jesus nesta Igreja é o seu convite a segui-lo sem reservas, libertando-nos das ataduras, covardias e desvios que nos impedem de caminhar atrás dele. Estes tempos de crise podem ser a melhor oportunidade para corrigir o cristianismo e mover a Igreja na direção de Jesus.

Devemos aprender a viver nas nossas comunidades e grupos cristãos de forma dinâmica, com os olhos fixos Nele, seguindo os seus passos e colaborando com Ele na humanização da vida. Iremos curtir a nossa Fé de uma nova maneira.


(Eclesalia Informativo autoriza e recomenda a divulgação dos seus artigos, desde que indicada a sua procedência.)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Os 12 melhores tweets dos últimos tempos da última semana

Como esse começo de ano está sendo movimentado, fizemos uma seleção dos 12 melhores tweets do @divcatolica nos últimos dias, pra relembrar. ;-)


1. Para jornal inglês The Guardian, novela Insensato Coração quer combater preconceito contra homossexuais no Brasil: http://migre.me/3Kh9C

2. Lista de indicados ao Oscar tem dois longas com temática lésbica como melhor filme: http://migre.me/3Kha6

3. Em tempos de ti-ti-ti por conta de transexuais, homofobia e BBB, uma iniciativa oportuna: http://twitpic.com/3t9xvk

4. Atenção, viajantes: nem toda bandeira arco-íris representa LGBTs: http://migre.me/3K2dd

5. Marta Suplicy tentará desarquivar o PLC122/06, projeto de lei que criminaliza homofobia: http://migre.me/3JZPX

6. Morrer como passado e nascer como futuro, para gerar a si próprio. Bonito, isso: http://bit.ly/dRcGXu

7. DVD dos "Dzi Croquettes" chega ao mercado com extras raros: http://migre.me/3Khkg

8 .Homofobias explícitas e implícitas: as pedras nossas de cada dia. Uma bela reflexão: http://migre.me/3IdsR

9 .Um ponto de vista interessante sobre preconceitos, privilégios e "doenças sociais". Vale a reflexão: http://bit.ly/hk462U

10. O que vai ser votado pelo STF é a UNIÃO ESTÁVEL entre gays, não casamento. Vejam http://migre.me/3I4Hq e links. Mas é, sim, uma evolução.

11. Confira alguns indicados a prêmio de mídia do GLAAD Awards, entidade LGBT dos EUA: http://migre.me/3IaF3

12. Seminário do Metropolitan Museum, de Nova York, discute como lidar com arte sacra nas instituições profanas que são os museus: http://migre.me/3KgUW
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