Foto: Rune Guneriussen
O jornal americano The Huffington Post publicou recentemente em seu site um interessante artigo da Reverenda Candace Chellew-Hodge, fundadora e editora do Whosoever, uma revista online para cristãos GLBT. A propósito do nosso post recente sobre o filme Assim me diz a Bíblia, achamos oportuno traduzir alguns trechos:
Há vários motivos por que gays e lésbicas não deveriam discutir sobre a Bíblia. Em primeiro lugar, porque é inútil, e ninguém ganha nada com isso. As pessoas antigay valem-se das suas próprias referências e interpretações das escrituras, assim como os simpatizantes dos gays. Ninguém ganha uma discussão dessas porque ninguém vai acreditar nos estudiosos do outro lado, qualquer que sejam os argumentos utilizados.
Segundo, discutir sobre as escrituras apenas leva ao endurecimento das opiniões de um lado e de outro. Nenhum lado está disposto a ceder. Não se trata de um verdadeiro diálogo, mas de uma mera disputa para ver quem consegue sustentar o bate-boca mais tempo, e geralmente falando mais alto. Ninguém se deixa convencer, e os dois lados acabam mais irritados e agarrados às suas próprias ideias. Não ocorre nenhum esclarecimento, e muito pouca, ou nenhuma, compaixão.
Terceiro, os debatedores dos dois lados nunca começam do mesmo ponto de partida: os antigay tendem a ver a Bíblia como a infalível "Palavra de Deus", (...) diretamente inspirada por Ele e jamais passível de contestação. (Ainda que a Bíblia seja repleta de contradições, a maioria das quais ignoramos sem nenhum problema.[...])
Os defensores do lado gay tendem a ver a Biblia como inspirada por Deus, mas (...) mostram-se mais abertos a diferentes interpretações e abordagens da Escritura. Os que consideram a Bíblia a "palavra literal de Deus" conhecem apenas uma maneira de ler cada passagem, e em geral optam por aquela que justifica suas crenças atuais sobre Deus, homossexualidade ou qualquer outro tópico.
O motivo mais importante pelo qual os gays não deveriam nunca discutir sobre as Escrituras é que a Bíblia nada tem a dizer sobre homossexualidade. Precisamos lembrar que é um livro antigo, escrito nos tempos em que as pessoas acreditavam que o mundo era plano e a Terra situava-se no centro de um universo dividido em três planos, com o céu acima e o inferno abaixo; (...) que toda a reprodução humana estava contida no esperma e a mulher não passava de uma incubadora. As mulheres, aliás, eram tidas como gado - propriedade a ser transmitida do pai para o marido, deste para seu irmão e assim por diante. Tempos em que a escravidão era entendida como tendo sido ordenada por Deus e os pecados eram lavados mediante o sacrifício de animais.
Em suma, não podemos extrair ideias modernas de um livro antigo. Os autores da Bíblia não sabiam sobre homossexualidade mais do que sabiam sobre uma Terra esférica girando ao redor do sol. No máximo fizeram comentários sobre comportamentos sexuais homoeróticos em situações de luxúria e abuso, mas nada disseram - nem a favor, nem contra - o moderno conceito de orientação sexual. Se não aceitamos o que a Bíblia diz sobre a Terra ser plana e as mulheres serem meras incubadoras (...), por que tomá-la por uma autoridade em orientação sexual?
A Bíblia é um livro sagrado porque descreve a jornada humana junto a Deus, e não o contrário. Se acompanha a nossa jornada junto a Deus, deve acompanhar a evolução do nosso entendimento acerca da atuação do Sagrado neste mundo. A humanidade deixou de ver Deus como um juiz e legislador severo e aprendeu a ver Deus como pleno de graça, misericórdia e amor.
Não vamos entender Deus escrutinando detalhes do livro e proclamando-os uma verdade eterna. Pelo contrário, a Bíblia nos põe em contato com Deus quando reconhecemos sua mensagem geral, que pode ser sintetizada por 1 João 4:7-8: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor".
Gays não deveriam jamais discutir sobre as Escrituras não só porque estas não condenam a homossexualidade, mas também porque esse tipo de debate não produz nada além de discórdia, dissensão e ódio, e tudo aquilo que não produz amor não vem de Deus. Em vez de discutir, amemo-nos uns aos outros, mesmo àqueles de quem discordamos. Essa é a mensagem de Deus para nós. Nada mais importa.
O que você acha? Deixe sua opinião nos nossos comentários e ajude-nos a enriquecer o debate. :-)
Tweet
Há vários motivos por que gays e lésbicas não deveriam discutir sobre a Bíblia. Em primeiro lugar, porque é inútil, e ninguém ganha nada com isso. As pessoas antigay valem-se das suas próprias referências e interpretações das escrituras, assim como os simpatizantes dos gays. Ninguém ganha uma discussão dessas porque ninguém vai acreditar nos estudiosos do outro lado, qualquer que sejam os argumentos utilizados.
Segundo, discutir sobre as escrituras apenas leva ao endurecimento das opiniões de um lado e de outro. Nenhum lado está disposto a ceder. Não se trata de um verdadeiro diálogo, mas de uma mera disputa para ver quem consegue sustentar o bate-boca mais tempo, e geralmente falando mais alto. Ninguém se deixa convencer, e os dois lados acabam mais irritados e agarrados às suas próprias ideias. Não ocorre nenhum esclarecimento, e muito pouca, ou nenhuma, compaixão.
Terceiro, os debatedores dos dois lados nunca começam do mesmo ponto de partida: os antigay tendem a ver a Bíblia como a infalível "Palavra de Deus", (...) diretamente inspirada por Ele e jamais passível de contestação. (Ainda que a Bíblia seja repleta de contradições, a maioria das quais ignoramos sem nenhum problema.[...])
Os defensores do lado gay tendem a ver a Biblia como inspirada por Deus, mas (...) mostram-se mais abertos a diferentes interpretações e abordagens da Escritura. Os que consideram a Bíblia a "palavra literal de Deus" conhecem apenas uma maneira de ler cada passagem, e em geral optam por aquela que justifica suas crenças atuais sobre Deus, homossexualidade ou qualquer outro tópico.
O motivo mais importante pelo qual os gays não deveriam nunca discutir sobre as Escrituras é que a Bíblia nada tem a dizer sobre homossexualidade. Precisamos lembrar que é um livro antigo, escrito nos tempos em que as pessoas acreditavam que o mundo era plano e a Terra situava-se no centro de um universo dividido em três planos, com o céu acima e o inferno abaixo; (...) que toda a reprodução humana estava contida no esperma e a mulher não passava de uma incubadora. As mulheres, aliás, eram tidas como gado - propriedade a ser transmitida do pai para o marido, deste para seu irmão e assim por diante. Tempos em que a escravidão era entendida como tendo sido ordenada por Deus e os pecados eram lavados mediante o sacrifício de animais.
Em suma, não podemos extrair ideias modernas de um livro antigo. Os autores da Bíblia não sabiam sobre homossexualidade mais do que sabiam sobre uma Terra esférica girando ao redor do sol. No máximo fizeram comentários sobre comportamentos sexuais homoeróticos em situações de luxúria e abuso, mas nada disseram - nem a favor, nem contra - o moderno conceito de orientação sexual. Se não aceitamos o que a Bíblia diz sobre a Terra ser plana e as mulheres serem meras incubadoras (...), por que tomá-la por uma autoridade em orientação sexual?
A Bíblia é um livro sagrado porque descreve a jornada humana junto a Deus, e não o contrário. Se acompanha a nossa jornada junto a Deus, deve acompanhar a evolução do nosso entendimento acerca da atuação do Sagrado neste mundo. A humanidade deixou de ver Deus como um juiz e legislador severo e aprendeu a ver Deus como pleno de graça, misericórdia e amor.
Não vamos entender Deus escrutinando detalhes do livro e proclamando-os uma verdade eterna. Pelo contrário, a Bíblia nos põe em contato com Deus quando reconhecemos sua mensagem geral, que pode ser sintetizada por 1 João 4:7-8: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor".
Gays não deveriam jamais discutir sobre as Escrituras não só porque estas não condenam a homossexualidade, mas também porque esse tipo de debate não produz nada além de discórdia, dissensão e ódio, e tudo aquilo que não produz amor não vem de Deus. Em vez de discutir, amemo-nos uns aos outros, mesmo àqueles de quem discordamos. Essa é a mensagem de Deus para nós. Nada mais importa.
O que você acha? Deixe sua opinião nos nossos comentários e ajude-nos a enriquecer o debate. :-)














