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domingo, 11 de março de 2012

O anúncio da Ressurreição de Jesus: um assunto de mulheres?


O Comité de la Jupe (Comitê da Saia), que quer promover um lugar justo para as mulheres na Igreja católica, sugere às paróquias o enriquecimento da liturgia da Páscoa através da redescoberta de um rito antigo, aquele da visita de mulheres ao túmulo na madrugada da Páscoa. Uma maneira de recordar a grande contribuição das mulheres para o anúncio da ressurreição.

“E se este ano as mulheres anunciassem a Ressurreição?” O Comité de la Jupe, criado em 2008 para promover um lugar justo das mulheres na Igreja católica, propõe enriquecer a liturgia do Tríduo Pascal através da redescoberta de um rito antigo, aquele da visita ao túmulo na madrugada da manhã da Páscoa. A proposta consiste em convidar as mulheres para se aproximarem do altar no seio da liturgia da Páscoa, a fim de anunciar as frases que, no Evangelho, anunciam a Ressurreição: “a morte foi derrotada, o crucificado ressuscitou!”.

Para o Comitê fundado por Anne Soupa e Christine Pédotti, trata-se de renovar com a visitatio sepulchri, uma prática medieval em outros tempos abandonada, que consiste em reproduzir os atos e as palavras das “santas mulheres” que foram ao túmulo e que foram as primeiras testemunhas da ressurreição de Cristo...

A cena é representada em muitos ícones ortodoxos, a partir do tema das mulheres “myrrhophores”, que foram até ele para levar pomadas para o embalsamento do corpo de Jesus, e que se encontram com um anjo que lhes anuncia que Cristo ressuscitou. Este rito, que se propagou a partir do século X na Europa, tinha dado origem a “encenações de natureza teatral”, às vezes, resultando em desvios, de sorte que o Concílio de Trento acabou com esta prática.

O Comité da la Jupe quer reintroduzir o rito de maneira mais simples a partir de um intercâmbio falado de grande sobriedade, pedindo um gesto que “não precisa de nenhuma competência específica. Bastam três paroquianas”. O Comitê advertiu contra qualquer “adorno teatral”, e salienta “que é fundamental não tentar construir um espetáculo de tipo narrativo, que pode ser motivo de distração”. Propõe utilizar o espaço litúrgico e centrar o rito sobre o altar, que representa o túmulo de Cristo. Os panos do altar simbolizam os panos que envolveram o corpo de Jesus.

O Comitê sugere que esse rito aconteça na manhã da Páscoa, uma vez que a Vigília do Sábado Santo já é bastante carregada. Esta iniciativa é, segundo o Comitê, “um gesto concreto” para reconhecer “o justo lugar” das mulheres na Igreja. O Comitê lança esta iniciativa em conjunto com a Ação Católica das Mulheres, parceira nesta festa da Páscoa de 2012. O dominicano André Gouzes se associa a esta renovação: “Alegro-me com o fato de que um dos rituais mais antigos da liturgia pascal esteja ganhando vida novamente e que valoriza a parte das mulheres na ação ritual da proclamação da Páscoa. Ao mostrar as riquezas infinitas da nossa liturgia cristã, a partir das suas fontes, pode fazer surgir novidades”.

- Jean Mercier
Reportagem publicada no sítio da revista francesa La Vie, 06-03-2012.
Tradução: Cepat, via IHU.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Corresponsabilidade: mais espaço para os leigos na Igreja


A "corresponsabilidade" voltou. Durante o Concílio Vaticano II, essa era uma das palavras mais recorrentes. Depois, durante anos, desapareceu. Um congresso organizado na França traz novamente à tona a "corresponsabilidade" e indica a comunidade Saint-Luc, em Marselha, como modelo de colaboração entre clero e leigos na Igreja.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítio Vatican Insider, 20-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto, aqui reproduzida via IHU, com grifos nossos.


Quem repropôs a discussão foi Nicole Lemaitre no sítio francês "Baptises", segundo a qual a corresponsabilidade se realiza a partir da noção de comunhão, no sentido daquilo que é a vida trinitária: "Todos os fiéis estão presentes nela, por causa da sua participação na graça dos sacramentos". Os pontos de partida são o lema da Assembleia Geral do Episcopado Francês de 1973 ("Todos responsáveis na Igreja") e a exortação apostólica Christifideles laici ("Em virtude dessa dignidade batismal comum, o fiel leigo é corresponsável, com todos os ministros ordenados e com os religiosos e as religiosas, pela missão da Igreja").

Os precedentes foram particularmente significativos. Na conferência inaugural do IV Congresso Eclesial (Verona, 16 a 20 de outubro de 2006), o cardeal Dionigi Tettamanzi indicou a corresponsabilidade como "fundamento de uma relação entre os vários componentes do povo de Deus, rico e fecundo do ponto de vista eclesiológico". De diversos setores eclesiais, explica Giorgio Campanini, professor de história das doutrinas políticas da Universidade de Parma, foram propostas iniciativas a fim de valorizar a contribuição dos leigos à vida da Igreja. "A contribuição do apostolado dos leigos na missão evangelizadora da Igreja foi definida no passado por duas palavras, atrás das quais há uma longa história de disputas eclesiológicas e de opções pastorais: 'participação' e 'colaboração'", afirma Campanini.

Mas a bússola no "revival" da corresponsabilidade é constituída pelo discurso proferido no fim de maio de 2009 por Bento XVI na Basílica de São João de Latrão, na abertura do Congresso Eclesial da diocese de Roma, que teve como tema "Pertencimento eclesial e corresponsabilidade pastoral" (leia aqui). O Papa indicou os leigos como corresponsáveis na missão da Igreja. Eles não podem mais ser considerados como "colaboradores" do clero, mas devem ser vistos como "corresponsáveis" pela missão da Igreja. Uma exortação a se interrogar sobre a verdade de fé sentida e praticada pelos fiéis, especialmente pelos leigos, e sobre o quanto o seu pertencimento eclesial está aberto à corresponsabilidade pastoral.

Joseph Ratzinger retomou os frutos do Concílio Vaticano II, mas, ao mesmo tempo, sublinhou que a sua recepção não ocorreu sempre sem dificuldades e de acordo com uma interpretação correta, enquanto houve a tendência de identificar a Igreja com a hierarquia. Em particular, ele alertou contra uma visão puramente sociológica da noção de Povo de Deus, advertindo que o Concílio não quis uma ruptura, uma outra Igreja, "mas sim uma verdadeira e profunda renovação, na continuidade do único sujeito Igreja, que cresce no tempo e se desenvolve, permanecendo porém sempre idêntico, único sujeito do Povo de Deus em peregrinação".

Hoje, muitos batizados se perderam do caminho da Igreja e não se sentem parte da comunidade eclesial, ou se dirigem às paróquias para receber serviços religiosos só em determinadas circunstâncias. "Isso exige uma mudança de mentalidade, que se refere especialmente aos leigos – destacou o papa –, deixando de considerá-los como 'colaboradores' do clero para reconhecê-los realmente como 'corresponsáveis' pelo ser e pelo agir da Igreja, favorecendo a consolidação de um laicado maduro e comprometido".

Daí a necessidade de uma formação mais atenta à visão da Igreja, uma melhor presença pastoral e a promoção da corresponsabilidade dos membros do Povo de Deus, sem diminuir o papel desempenhado pelos párocos.

Também é importante cuidar da liturgia da Eucaristia, da qual deriva a comunhão. De fato, disse o papa, devemos sempre aprender a proteger a unidade da Igreja de rivalidades, de contendas e de invejas que possam nascer nas e entre as comunidades eclesiais. "O crescimento espiritual e apostólico da comunidade leva a promover o seu alargamento através de uma convicta ação missionária", disse o papa. "Empenhem-se, portanto, para reavivar em cada paróquia, como nos tempos da Missão Cidadã, os pequenos grupos ou centros de escuta de fiéis que anunciam Cristo e a sua Palavra, lugares onde seja possível experimentar a fé, exercer a caridade, organizar a esperança".

Essa articulação das grandes paróquias urbanas através da multiplicação de pequenas comunidades permite um respiro missionário mais amplo, que leva em conta a densidade da população, da sua fisionomia social e cultural, muitas vezes altamente diversificada. O papa, assim, destacou a importância de utilizar esse método pastoral nos locais de trabalho. "Quando perguntados para explicar o sucesso do cristianismo dos primeiros séculos, a ascensão de uma suposta seita judaica na religião do Império, os historiadores respondem que foi particularmente a experiência da caridade dos cristãos que convenceu o mundo. Por isso, viver a caridade é a principal forma da missionariedade". Para os participantes do congresso organizado na França sobre a "corresponsabilidade", a nova eclesiologia começa com o batismo. E "a primavera de um novo cristianismo, mais aberto, mais dinâmico, mais utópico, parece estar mais perto".

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Evangelizar sem afundar na restauração: o desafio da Igreja hoje

Escultura: Yoan Capote

Três ministérios, três serviços prestados permanentemente aos outros e a Cristo: a benção, a escuta e a esperança. A bênção, a escuta e a esperança nos parecem ser os caminhos da evangelização.

O texto que segue é a contribuição da Conférence Catholique des Baptisé-e-s Francophones (CCBF, Conferência Católica dos/as Batizados/as Francófonos/as) para a preparação do Sínodo sobre a Nova Evangelização que será realizado em Roma, em outubro de 2012. Ele foi enviado pela CCBF à Conferência dos Bispos da França no fim de outubro de 2011.

O artigo foi publicado no sítio da CCBF, Baptises.fr, 17-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto, aqui reproduzido via IHU, com grifos nossos.






"Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, anunciando a Boa Nova do Reino e curando toda espécie de doença e enfermidade do povo" (Mateus 4, 23)

Evangelizar significa assumir a atitude de Jesus que, em todos os relatos evangélicos, encontra, escuta, dá a palavra, eleva e cura. Hoje, a Igreja busca os caminhos para uma "Nova Evangelização", sobretudo na Europa, nos países muito antigamente cristãos, e que, aos olhos de muitos, hoje parecem sê-lo menos. Nos países europeus, o Magistério deplora aquela que chama de secularização e a sua perda de influência, mas os cidadãos, cristãos e católicos em primeiro lugar, não se encontram tão mal. Ao contrário, apreciam a democracia e a liberalização dos costumes que a Igreja por muito tempo obstacularizou.

Além disso, dentro da Igreja, levantam-se movimentos de leigos para contestar o conservadorismo e a governança autoritária dos clérigos. A "Nova Evangelização", nesse contexto, não pode ser entendida em termos de reconquista de um terreno perdido, mas sim como um convite pessoal a se apropriar das palavras de Cristo na própria linguagem e na própria de homens e de mulheres de hoje, a acolher o Verbo na própria carne, mesmo que ela não seja judaico-cristã depois de 2.000 anos.

A criação da CCBF é a nossa resposta para a nova evangelização.

A CCBF se vê livre de toda ligação clerical ou hierárquica; ela não é um movimento de Igreja, mas também não constrói uma oposição na Igreja.

A Conferência está na Igreja e quer fazer Igreja com todos. A Conferência reúne cristãos muitos diferentes que não têm todos a mesma opinião sobre certas questões sociais. O ponto comum dos membros da Conferência é querer que todos os batizados exerçam a sua vocação de sacerdotes, profetas e reis, leigos e clérigos juntos, unidos em Cristo, no cotidiano e na encarnação de suas vidas.

É com essa finalidade que a Conferência quer colocar todas as suas ações no quadro de três ministérios, três serviços prestados permanentemente aos outros e a Cristo: a benção, a escuta e a esperança. A bênção, a escuta e a esperança nos parecem ser os caminhos da evangelização.


Bênção: e se começássemos a falar bem da Europa?

Abençoar, bendizer, significa "dizer bem". É reconhecer o valor do outro, é o início do respeito e do diálogo. E, ainda que hoje as instituições e a moeda europeias se encontrem em plena crise, se começássemos a falar bem da Europa e dos europeus?

Depois de séculos de enfrentamentos, os europeus encontraram o sábio caminho da paz. Depois de mais de 60 anos, a Europa está em paz. A paz, primeira riqueza dos homens e primeiro dom de Deus. Desde o fim dos anos 1950, a União Europeia progride, certamente não muito depressa em certas questões, mas os cidadãos do continente globalmente obtiveram disso prosperidade e progresso social. Certos países da União souberam até desenvolver, sob a influência conjunta da social-democracia e da democracia cristã, um modelo social de proteção, que deve ser sustentado e estendido.

A Europa é democrática, aboliu a pena de morte e promove a paz no mundo: seus exércitos são os primeiros fornecedores de tropas para a manutenção da paz, enviadas pela ONU a todo o planeta. Os europeus podem ficar orgulhosos por participar no cotidiano dessa obra, certamente imperfeita, totalmente humana e frágil, mas única no mundo.

Graças sejam dadas aos seus pais fundadores, como Jean Monnet, Konrad Adenauer, Alcide De Gasperi, tenazes leigos católicos, àqueles que os seguiram e a todos aqueles, cidadãos e habitantes da Europa, que trabalham todos os dias para a sobrevivência e o desenvolvimento desse conjunto político, econômico e social que, apesar de seus pesos e disfunções, a Terra inteira inveja.

Bendigamos, falemos bem também da juventude europeia, que, quando tem a chance, estuda juntos, muitas vezes fala ao menos duas línguas como em um Pentecostes laico e convive com outros jovens em todas as metrópoles estudantis, sob a égide de um grande pensador cristão independente e livre: Erasmo.

Alguns deploram que a Europa como instituição não faça mais referência ao cristianismo, mas será que ela precisa ser uma organização cristã? Não, absolutamente não, porque deve dialogar com toda a Terra sem a prioris religiosos. Em contrapartida, a Europa integrou muitos valores do Evangelho, incluindo a paz e o respeito da pessoa e do indivíduo. Pela atenção aos pobres, ela deve continuar essa rota e às vezes confirmá-lo, sob o olhar de seus cidadãos. Reconciliada, a Europa não precisa ser piedosa ou praticante, ou fazer referência – como bloco único – a raízes cristãs. Basta-lhe sempre continuar debatendo e discutindo, conciliando, "fazendo concílio" das suas dificuldades, dos seus desacordos, para permanecer moderna, para viver e fazer viver uma permanente atualização de paz e de progresso social.

É reconhecendo essa Europa da modernidade, dando confiança a essa sociedade secularizada, mas democrática e social, que os cristãos poderão transmitir nela a mensagem de Cristo. Evangelizar significa não apenas socorrer, à beira da estrada, como o Samaritano, a pessoa dada como morta na fé, mas também dar confiança à sociedade (ao dono da pensão) para levar a termo a sua obra.


Escuta: saber ouvir as pessoas, a Igreja e a Palavra de Deus

A CCBF coloca a evangelização no centro do seu ministério de Escuta: a escuta das pessoas, do povo simples com o qual a Igreja e os fiéis convivem, a escuta da Igreja, de sua Tradição e de seu Magistério, e a escuta da Palavra de Deus.

Embora distantes da Igreja, ou opostos às suas opiniões, aos seus ritos ou aos seus posicionamentos, os nossos concidadãos, no entanto, têm uma rica espiritualidade: é o específico do homem. Evangelizar significa sobretudo escutar, dar a palavra a essas interioridades, a essas expressões da fé ou da não fé que alguns crentes rígidos prefeririam nem ouvir, mas que são o terreno fértil dos imensos questionamentos espirituais do nosso tempo e a ocasião para que aqueles que se dizem cristãos testemunhem a sua fé em Cristo.

Aqui, pelo debate e pelo testemunho, pode haver escuta mútua: expressão de uma espiritualidade pessoal, mais ou menos cristã, ou nada cristã, e apostolado de uma fé cristã que dá à luz o seu Cristo, não com um discurso teórico, mas sim com uma palavra existencial. Com esse objetivo, a Conferência promoverá oficinas de expressão da fé, ou da espiritualidade, abertas a todos.

A Conferência também está à escuta da Igreja, de sua Tradição e de seu Magistério, e se vê próxima dos seus clérigos, que precisam do sustento dos batizados para exercer seus ministérios.

Muito frequentemente, esses ministérios ordenados são o lugar de sofrimentos humanos, que nada mais são do que a consequência da incompreensão, de rigorismos e da falta de atenção justamente dentro da nossa Igreja. Escutar os nossos clérigos, os nossos padres, as nossas religiosas é acolher fraternalmente os seus questionamentos e os seus problemas, e oferecer soluções que respeitem mais o espírito dos discípulos de Cristo do que a simples disciplina regulamentar e organizacional.

Uma Tradição e um Magistério vivos e presentes devem ser audíveis por todos. Para a Conferência, escutá-los não é lhes outorgar uma obediência cega. A obediência evangélica não é a execução de uma ordem, mas sim uma escuta, uma discussão, uma disputatio, uma necessária interpretação, especialmente pelos e para os leigos encarregados, segundo as próprias palavras da constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium, capítulo 4, §31, do Concílio Vaticano II, de "iluminar e ordenar de tal modo as realidades temporais, a que estão estreitamente ligados, que elas sejam sempre feitas segundo Cristo".

A Conferência se esforçará, portanto, para predispor espaços públicos de debate em torno das questões levantadas pela Tradição e pelo Magistério, de modo que a Tradição continue sendo aquilo que se pode e se quer transmitir e intercambiar (tradere em latim), e de modo que o Magistério, encarnado na vida dos homens e das mulheres deste tempo, seja unicamente o de Cristo. Assim, falando a mesma linguagem dos seus contemporâneos, os católicos poderão ser escutados por todos, crentes ou não crentes, o que é uma condição prévia para uma nova evangelização exitosa.

Enfim, evangelizar é sobretudo escutar a Palavra de Deus. Ler, falar, contar, discutir os relatos bíblicos e evangélicos, destacar as suas asperezas, os subentendidos, os símbolos, as correspondências, as contradições, os exageros, os escândalos. Não tomar nada ao pé da letra, mas fazer uma leitura e uma escuta ativas, revoltadas, implicadas, para finalmente, com a ajuda do Espírito, poder escutar o seu sal que dá sabor à nossa vida e nos faz dizer "Eu creio".

Nessa perspectiva, a Conferência irá orientar o seu ensinamento segundo a exortação apostólica Verbum Domini "sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja", que insiste na importância da Bíblia, no pecado unicamente como não escuta da Palavra e no papel dos leigos na evangelização.


Esperança: Cristo se dirige a cada um de nós, para que possamos fazer e refazer a Igreja

Se criamos a Conferência, é porque não podemos mais suportar que a nossa Igreja seja átona, que os cristãos se afastem dela silenciosamente, porque não são mais ouvidos. Sabemos também que toda oposição leigos-clero é estéril, e que a nossa Igreja não se transforma como um partido, uma empresa, um país ou uma associação. Por isso, queremos ficar no meio do barco, não reivindicar nada, mas esperar tudo, não ir embora, mas não calar, porque acreditamos que somos a Igreja e Cristo todos juntos, leigos e clérigos, liberais e mais tradicionais, homens e mulheres igualmente.

Para que a nossa Igreja não seja mais estática, em pane ou tentada a afundar na restauração de um passado superado e contrário à evolução da sociedade, porque nós somos a Igreja e somos modernos, parte ativa da sociedade atual, porque não desenvolvemos uma contracultura, mas estamos na vida real, com todos os outros, cristãos e não cristãos, temos no coração o nosso sacerdócio de batizados/as e, por tudo isso, temos a Esperança de que fazemos e continuaremos refazendo a Igreja, porque Cristo se dirige a cada um de nós e a cada um daqueles que encontramos no nosso apostolado.

Pouco a pouco, não mais de forma hierárquica, nem mediante um poder temporal, mas, de ser humano para ser humano, em rede, em rizoma [1], faremos crescer, faremos florescer e daremos o fruto da Vida.

- Conférence Catholique des Baptisés Francophones, pelo seu Conselho de Administração

Nota:
[1] Rizoma é um modelo descritivo e epistemológico no qual a organização dos elementos não segue uma linha de subordinação hierárquica, segundo uma concepção de árvore, mas sim na qual cada elemento pode influenciar qualquer outro elemento. A concepção é dos filósofos franceses Deleuze-Guattari.
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